domingo, 17 de julho de 2011

Dans les petits coins de Paris

Com os dedos coçando e quebrando a cabeça para não esquecer das coisas, conto, agora, meu final de semana. Minha sexta-feira começou fantástica, pois na hora em que eu acordei tive uma grande surpresa. Estava eu, num sono profundo, quando eu escuto uma voz, com um francês carregado de sotaque árabe, que dizia: "hoje é dia de trocar os lençóis". Era a faxineira, que no dia anterior tinha arrumado o quarto, enquanto eu estava dormindo, mas nesse dia não podia repetir o ato, já que, como disse, era necessário trocar os lençóis. "Pas de problème. Eu me levanto agora." Primeiro, ela arrumou a cama da menina que dorme comigo, enquanto eu acabava de despertar, depois começou a arrumar a minha. Ela puxou assunto, perguntando da onde eu era, eu disse que do Brasil, e já suspeitando qual seria a resposta, eu perguntei de que país ela era. Quando ela me disse "Tunísia", eu não pensei duas vezes: "Acho que eu me lembro de você. Mabruka, não é?" Ela largou os lençóis, abriu um sorriso e veio rapidamente me dar um abração. Que coisa mais fofa!! Ela limpava o meu quarto no FIAP, no ano passado. "Eu sabia que eu conhecia o seu rosto de algum lugar, mas eu não conseguia me lembrar de onde. Minha cabeça não trabalha mais, estou ficando velha", ela disse. Então começamos a conversar, ela disse que adora os brasileiros, porque nós respeitamos a família. Disse que trabalha aqui há 43 anos, que chegou da Tunísia sem saber falar nada de francês, que se aposenta em três anos "se Allah desejar", que os tempos agora são outros, que, mesmo emprego de faxineira, só contratam gente com BAC(que é o exame de final de colégio, só com esse exame que se pode entrar na faculdade), fluente em três línguas, etc. Não me aguentei, e acabei perguntando como são os direitos do estrangeiros residentes aqui na França (eu largo o Direito, mas o Direito não me larga!), ela me disse que é a mesma coisa. Foi ótimo!
Almocei na rua, em Montparnasse. Assim como o Kebab, no primeiro dia, eu fui a um lugarzinho previamente escolhido para comer o crèpe que eu avalio como o melhor de Paris. Não sei o nome do lugar, mas fica, pra quem está de frente para as Galeries Lafayette, do lado esquerdo, na rua do Monoprix. É uma lanchonete, simples, mas maravilhosa. Um crèpe e um refrigerante saiu por €5,80. Depois, peguei o metrô e desci na estação da Châtelet e fui andar. Precisava encontrar uma loja Orange (a maior companhia de celular) e comprar o meu chip. Não encontrei a loja da companhia, mas uma de telefonia, eletrônicos, etc, que vendia chip também. O único problema, foi que eu paguei mais caro, paguei €10. Na compra, me pediram identificação e a xerox autenticada do meu passaporte serviu (não ando com passaporte original na rua, ele fica trancado dentro de casa, para evitar problemas). Entrei em uma galeria de arte super diferente, achei demais! Era uma casa de uns 5 andares e você entrava, seguindo o caminho no chão, as pinturas, as frases... Em cada andar tinha um tema e os artistas estavam trabalhando enquanto você olhava. Só te davam um "bonjour" e continuavam a criar. Umas coisas meio loucas, outras com sentido, umas pornográficas, outras engraçadas.. Um ótimo programa, que descobri por acaso, ao ler uma plaquinha "Galeria de Arte. Entrada Gratuita. Visite-nos, os artistas estão vivos". Legal, né?
Passei em frente ao Centre Pompidou, que é uma instituição voltada para a criação de arte moderna e contemporânea, com espaços de música, teatro, cinema e atividades literárias, criada por Georges Pompidou, e fiquei apreciando aquelas maluquices de arte contemporânea: bolha de sabão, umas esculturas que você não entende nada, uns exaustores gigantes (isso porque eu ainda nem entrei lá dentro), uma galera meio alternativa... Claro que ao falar em arte, e ainda mais arte contemporânea, não posso deixar de falar que lembrei da minha prima museóloga, Mayra, e tirei uma foto pra ela, de uma plaquinha que eu vi no metrô. "A arte deve discutir. Deve contestar. Deve protestar" - Gerorges Pompidou.

Mesmo com um calor digno de Rio de Janeiro (no outono, claro), continuei andando.




Fui até o Quartier Latin, e cheguei a conclusão de que na sexta eu devo ter saído muito "jeitosa" de casa. Fui cortejada na rua CINCO vezes! Sendo que três delas, os caras queriam me conhecer de qualquer jeito, conversar, saber daonde eu era, o que eu tava fazendo... Onde já se viu?! Vou sair com a mesma roupa todos os dias! Acabei o dia completamente morta, esgotada, rezando por uma cama, o mais rápido possível.



No sábado, peguei o metrô, para ir ao Musée de l'Orangerie, no Jardin des Tuileries. Como no metrô a vida acontece, mais uma vez eu tive uma surpresa. Estava eu na linha 12, na estação de Montparnasse, quando entra um músico no trem e começa a tocar ARY BARROSO! Eu tive que rir! Todo mundo fazendo cara de paisagem, de que nunca tinha escudado aquela música, e eu cantando à bessa Aquarela do Brasil.
Chegando ao museu, que é voltado para a arte impressionista, futurística e pré-moderna, assisti a duas exposições: a fixa e a temporária. Paguei €7 pelas duas, com meia entrada garantida pela carteirinha da UFF (é, eles aceitaram!). A primeira, começava por duas salas projetadas por Claude Monet, para abrigar uma coleção de quadros, que ele chamou de "Les Nymphéas", de tradução: "Os Nenúfares", uma espécie de planta aquática. Muito mais do que quadro de plantas, com água, reflexos, profundidade, etc, Monet desejava oferecer aos parisienses um ambiente de paz, no momento após a Primeira Guerra Mundial. A intenção era convidar à todos a uma contemplação da natureza, para valorizar a paz. São salas totalmente brancas, que não se pode fazer barulho (ah, tá bom, que os turistas respeitam) e com quatro quadros gigantescos em cada uma delas. É lindo! Emocionante!


As outras salas eram dedicadas à autores como Picasso, Modigliani, Derain e outros. A segunda exposição, foi de um artista impressionista do começo do século passado, Paul Guilaume. Tirando a parte de Monet, foi a parte da visita que eu mais gostei. Mesmo morrendo de dor nas costas, fiquei maravilhada com as cores, a vivacidade e a técnica desse artista. No momento em que eu estava indo embora, eu vi uma frase numa parede da sala, que ele escreveu em 1946; eu gostei tanto, que precisei escrever: "Cortona et Paris sont les villes auxquelles je me sens le plus lié: je suis né physiquement dans la première, intellectuelement et spirituellement dans la seconde". Fazendo uma alteração de Cortona por Niterói, eu achei a minha cara: "Niterói e Paris são as cidades as quais eu me sinto mais conectada; eu nasci fisicamente na primeira, intelectualmente e espiritualmente na segunda". Vai falar, que não é demais?!





Segui, então, para o Jardin des Tuilleries, para passear. O clima tava fresco, mas nada que fosse necessário muito casaco. Até tomei sorvete! Por sinal, sorveteria italiana Amorino... marveilleuse!



De noite, fui ao cinema, em Montparnasse, o Gaumont Montparnasse, assistir ao último filme do Harry Potter. Ah, vai, nada francês, eu sei. Mas sábado à noite, eu não tinha companhia pra sair, vou pra um bar sozinha? Eu não! Vou é pro cinema! Foi ótimo. Aqui, os óculos 3D são vendidos por €1, o que faz com que cada um tenha o seu, e não seja necessário usar aqueles que passaram nas cabeças cheias de piolho. Não sei se é porque o óculos estava novo, sem nenhum arranhão, sem gordura na lente, ou se o 3D aqui é melhor, mas foi a primeira vez que eu realmente vi as coisas vindo em cima de mim. Antes mesmo de começar o filme, nas propagandas, eu tomava vários sustos, achando que as coisas iam voar no meu rosto. Muito coisa de roça, né? Tinha que ter vergonha de contar.
Hoje, domingo, tive o desprazer de almoçar no alojamento do FIAP. Que comida mais horrorosa! Pra não ficar de barriga vazia, eu comi um prato de alface e cenoura, que estava mais gostoso (pra vocês terem noção como estava ruim o resto) que tudo, e tentei empurrar o prato quente. Mas era tão ruim, tão ruim, que eu deixei mais da metade da comida no prato. O pior de tudo, é que eu não posso deixar essa comida de lado e comer na rua, porque ela já está incluída no preço da habitação, então, para economizar, tem que comer aqui mesmo. Essa semana que passou, como eu ainda não tinha vínculos com a escola, horários a cumprir e passava o dia inteiro na rua, eu pude me deliciar com coisa boa na rua. Hoje isso mudou. Agora eu almoço, ou janto, engolindo a comida, pra que esse momento de desprazer passe rápido.
De tarde fui passear na Place de Vosges, no Marais. Fui com a intenção de passar batido pela praça, visitar a casa de Victor Hugo, ir ao Musée Carnavalet, que é perto, mas não consegui fazer nada além de admirar a arquitetura da praça, fazer pique-nique na grama, olhar as galerias de arte, assistir às apresentações dos artistas. Primeiro, tinha um grupo de uns 10 músicos, que tocavam uma música folclórica, meio cabaret, meio medieval, alucinante.







Depois, assisti uma Ópera, na rua, de graça. Ô glória! Essa, maravilhosa! Fiz até um vídeo, que já está no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=J94pukbrjxo


Por enquanto, c'est suffit.
À la prochaine.

6 comentários:

  1. Ci, que máximo tudo. Que fotos!. Como Paris pelos seus olhos é mais linda ainda. Fiquei com vontade de comer aquele sorvete, ouvir as melodias daqueles músicos, ver a exposição do MONET, desfrutar de toda essa arte maluca e até mesmo assistir ao filme 3D com vc. Estou adorando a alegria do seu sorriso e isso é o que me deixa muito feliz. VOU assistir agora a ópera. Com certeza vou adorar!!!! Cresci ouvindo ópera. BEIJOS MIL MINHA LINDA!!!!!!!!!!!!!

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  2. Que lindo!!!!!!!!!! Lembrei do meu avö. Ele adorava essa música e cantava muito bem também. Emocionante. Obrigada CI. Beijocas mil.

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  3. Sua carinha nas fotos ta tão feliz, igual um Pinto no lixo né? haha
    Seu cabelin também está um espetáculo, o que Paris não faz né?
    Acho que eu não sou a primeira a falar que parece que a gente ta ai com você? você escreveu tããão bem, contando tudinho que parece que a gente passou o dia juntas!
    Conte-me tudo, quero saber mais mais mais mais!
    Mineiro é muito engraçado né? morri de rir dele perguntando o que é Zara e Sephora hahahahaha
    A foto de você sentada na cadeira me lembrou Mariana querendo curtir a paisagem e o momento num frio desgraçado.
    Já to com saudades xixa, bisous

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  4. O máximo tudo. Qualquer dia volto nessa cidade com minha Nega e minha Clarinha!

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  5. As fotos ficaram muito boas. Deve ter sido engraçado cantar Ary Barroso no metro de Paris sem nenhum frances entender porra nenhuma huahah!

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  6. Ah, Dona Lady, vc está arrebentando nas fotos e nas histórias... morro de rir! Saudades! T amo! BJs, Dé.

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