sábado, 23 de julho de 2011

Na terra do “ah... Oui! Oui, oui...”

Bem, acredito que a partir de agora os posts serão mais espaçados. Hoje completa quase uma semana sem nenhuma atualização, pois o motivo da minha viagem, o curso de francês, começou. Comecemos então por ele. Ah, antes que eu me esqueça, eu descobri esses dias, que, clicando nas fotos do blog, elas são transferidas para outra página e ficam maiores, se interessar à alguém... Mas enfim...
Vim para a França, fazer um curso intensivo de um mês na escola Paris Langues, a mesma que eu estudei ano passado, pelo mesmo tempo. Do ano passado pra esse, pude perceber que a ela cresceu (de qualidade, não de tamanho) e que ficou mais organizada. As críticas dos alunos anteriores (inclusive as minhas) foram de grande utilidade. Na segunda-feira, ao invés de uma entrevista xexelenta em um auditório, com todos os alunos, que não media conhecimento de ninguém, fomos submetidos a duas provas: uma escrita, e uma oral. Na hora da minha entrevista, a professora que corrigiu a minha prova de gramática, disse que eu tinha ido bem, mas não sei por que cargas d’água, ela me colocou em uma turma de nível B1 (lembrando que o curso de francês regular é dividido em quatro partes, da menor para a maior: A1, A2, B1, B2. Também existem os níveis C1 e C2, que são considerados avançados. A formação básica é até o B2). Aqui, no momento, existem 12 turmas, que mesmo sendo do mesmo nível, os alunos são divididos em mais fortes, ou mais fracos, para aquele nível. Por exemplo, de A1, existe: A1, A1+, A1+ fort. Eu fui colocada em uma turma B1+. O meu primeiro dia de aula foi uma merda, pra variar. Achei que fiquei em uma turma muito fraca e o pessoal era muito morto. Queria morrer, quando vi que as pessoas da minha sala não conseguiam se comunicar direito, e os tipos de exercícios que dávamos eram óbvios demais pra mim. E eu fiquei meio sem graça de pedir pra mudar, logo de cara, porque achei que seria arrogância dizer que eu me achava em um nível mais avançado, que as outras pessoas. Por sorte, nesse mesmo dia, tivemos uma reunião com o diretor, Henri, que explicou tudo da escola, os passeios, etc, e disse que quem achou ter ficado em uma turma muito forte ou muito fraca poderia pedir pra trocar. Ô glória! Nessa mesma reunião, conheci umas espanholas muito simpáticas. Uma delas, falava tão bem, que eu tropeçava no francês pra poder acompanhar ela. Mas eu adorei logo de cara, porque teria gente de nível bom pra treinar e gente solta. Então, no dia seguinte, eu não perdi tempo. Quando eu tava olhando no mural o nível que eu tinha caído, o diretor dava do meu lado e me perguntou se eu queria alguma coisa. Eu disse: “Sim, eu quero mudar de turma. Só... Que... Eu não sei se devo assistir mais uma aula...” (falei meio balbuciando). E ele me respondeu: “Perfeitamente. Não, mudamos agora. Você achou muito fraca, ou muito forte?”; “Muito fraca”. Então ele me pulou DUAS turmas. Aí eu pensei: “Fudeu! Por que esse cara não me colocou na do meio? Por que ele pulou duas?” Em cinco minutos de aula, eu relaxei e vi que estava na turma certa. O pessoal tem uma gramática um pouco melhor que a minha, mas tem dificuldade na pronúncia. Aqui na Europa, as pessoas aprendem francês na escola, desde muito novos. Então, o que eu aprendi em um ano, eles aprenderam em 10. É óbvio que pra eles, vai ser mais claro. Mas enfim... Gostei de ter mudado. Fiz um ótimo negócio. Quanto à professora, Magali, achei um pouco antipática no começo, mas depois eu vi que ela era gente boa. Em relação às nacionalidades, número um, disparado, são os espanhóis. Eles dominaram o pedaço. Em segundo lugar, não sei se são os brasileiros, ou os russos. Essa semana (sim, porque as pessoas chegam e partem e tempos diferentes), tivemos um cardápio de: inglês, turco, coreano, chileno, alemão, irlandês, italiano, australiano, colombiano, grego... E outros que não cruzaram o meu caminho. Das histórias “interessantes”, tem uma menina aqui no curso, uma das russas, que é cantora de ópera. Ela é do Conservatório de Moscou, olha que demais! Numa das aulas do Atelier Écrit, a aula de tarde, para melhorar a escrita, que também tem conversação, cada pessoa contou das atualidades do seu país. Foi legal, ver o francês falando do Sarkozy, do DSK (Dominique Strauss Kahn), a italiana falando do Berlusconi, o coreano falando que a Coréia do Sul foi escolhida para sediar as Olimpíadas de inverno de 2016 (da série, notícias que não interessam a ninguém), espanhóis falando da crise, etc. Ah, fora da sala de aula, eu escuto em espanhol, ou em inglês, respondo em francês, ou em português, que tem hora que a cabeça dá um nó, que eu falo as quatro línguas ao mesmo tempo. Tem gente que sabe mais, outros que sabem menos, mas no corredor o pessoal interage e acaba se entendendo. Já rolou o papo “futebol” e ainda tive que escutar gracinhas sobre a eliminação do Brasil na Copa América, e o pior que não podia nem responder, já que estava falando com o atual campeão do mundo. Das histórias de “vontade de vomitar”, até agora só teve uma. Um mexicano, de personalidade duvidosa lançou essa semana uma assim: “Porque país que é governado por mulher não pode dar certo. Política é lugar de homem”, e logo depois “no México, ou você tem dinheiro, ou não tem. E no meu caso , eu tenho bastante”. Já viu né? Das histórias de “coincidência ou praga”, não bastassem três cariocas, em meio aos quinhentos pernambucanos, brasilienses e mineiros, as três são de NITERÓI. Não é possível! Na próxima viagem onde eu terei que me esconder? Por último, das histórias de “momentos engraçados”, hoje eu morri de rir na sala. Estávamos no meio de um jogo, chamado Tabou, que cada aluno deve pegar uma carta, com uma palavra, pra os outros adivinharem o que é. Não se pode fazer mímica, nem usar algumas palavras, que estão anotadas no cartão. É um exercício pra treinar vocabulário. Na vez da russa, ela pegou um cartão, com a palavra “cliente”. Então, ela disse “quando vamos ao shopping e fazemos compras, nós somos...”, a sala, composta somente por mulheres, respondeu em uníssono: “FELIZES”. AHAHAHAH!! Depois dessa, até a professora riu.
Tirando a escola, a vida de promenades, de passeios, ficou mais apertada. Ainda assim, a semana foi produtiva. Na segunda, peguei o metro, linha 6, e desci na estação de Passi, para ir à Maison de Balzac. Infelizmente, estava fechada, então eu aproveitei para passear. Estava no 16ème arrondisement, a zona dos ricaços. Sem um papelzinho no chão, fiquei maravilhada com os apartamentos, a região... Só madame na rua, todas as lojas muito caras e só carrão. BMW, Mercedes, Alfa Romeo, Porsche, Audi, tudo com bancão de couro. 



De lá, fui andando até a Torre Eiffel. Fui turistando ao máximo. Parecia que tinha chegado em Paris ontem, pela primeira vez. Tirando foto, olhando lojinha e tal... Parei, então, numa barraquinha de comida, ao lado do Carrossel, para comprar um lanche. Olha que ousadia, um dos vendedores, que era negão, perguntou se eu não gostava de negão. AHAHHAHAAH Eu respondi que sim, uai! Ainda falei, “Cara, eu venho do Brasil, como que eu não vou gostar de negão?” Não sei o que foi pior, ele de perguntar, ou eu de responder. 


 







Depois eu sentei no gramado da Champs de Mars, para descansar, apreciar a vista, saborear um crèpe de nutela, de 4,20, até que vieram alguns caras esquisitos. Um deles, queria me embebedar de qualquer jeito. Passou pela primeira vez vendendo bebida, eu disse que não queria. Depois a segunda, terceira, quarta... Na quinta vez ele queria me dar de graça. Eu falei que não, ele insistiu. Não entendi porque. Depois, passou um cara, com as mãos nos bolsos, me perguntando se eu queria alguma coisa. Para bom entendedor, meia palavra ba. Ainda teve o cara que eu vi na Châtelet, vendendo entorpecentes em plena luz do dia, sem contar das três meninas fumando um back, em frente às Galeries Lafayette... É, Paris está muito moderna.




Da torre, eu segui andando até Montparnasse. É, eu andei MUITO! Depois, eu encontrei com a Valéria, prima dos meus irmãos, em Saint Germain-des-Prés, que está morando aqui em Paris.  Fomos a um bar na 14, rue Jacob, chamado Zero de Condute, conhecido pelos seus famosos beberons. É um bar com decoração infantil, em que as bebidas são servidas em mamadeiras. Cada drink tem o nome de um personagem de desenho e o pedido é feito através de um desenho desse personagem, na prancheta que eles dão. O primeiro drink custa €12 e os outros saem por €8. É bastante engraçado e ridículo!
Na terça, descobri que certos sinais que pra mim eram óbvios não são universais. No Brasil, quando abrimos e fechamos as mãos com as pontas dos dedos, fazemos referência a “muito”. Alguém pergunta: “aí tá cheio?”, aí você responde com o sinal e fala: “demais.” Aqui, esse mesmo sinal, quer dizer ter medo. Esquisito. Tem mais, o nosso ok, mão fechada com o polegar pra cima, o famoso CURTIR do facebook, não significa nada. Então, todas as vezes que alguém para o carro, para eu atravessar, eu tenho que brigar com o meu instinto de não levantar a mão, e fazer um sinal de “ok. Valeu!” para agradecer. Ainda não me acostumei. De tarde fui passear no 1ème e 2ème, perto das estações de Bonne Nouvelle, Richelieu Druot, Grands Boulevards, linhas 8 e 9. É uma região boa para as compras. Muitas lojas, tanto as muito baratas, quanto as de marca. Ainda mais porque está tudo em soldies, rebajas, sale, promoção. As Galeries Lafayette estavam lotadas pelas mulheres ensandecidas, sedentas por bolsas, sapatos, roupas, maquiagem e acessórios da Chanel, Lâncome, Georgio Armani, Christian Dior, Michael Kors, Lacoste, Yves Saint Laurent, Louis Vuitton e outras com promoções de até 50%. Acho que tinha coisa com até 70%, mas não tenho certeza.  Até pensei seriamente em me casar com um árabe cheio dos milhões. O dinheiro do petróleo vem todo pra Paris. Eu nunca vi tanto árabe na minha vida. E as esposas vem junto gastar! É perfume, maquiagem, bolsa, sapato... A propósito, não se fazem mais árabes como antigamente. Onde já se viu, piercing no nariz, batom rosa choque, salto alto, pé de fora e um velzinho pra não mostrar o cabelo. É brincadeira, hein?! De noite, encontrei com uma amiga, que conheci ano passado, Mariko, japonesa. Fomos à um bar/restaurante lanchar, tomar uma cerveja, colocar o papo em dia...




Na quarta, fui a um programa imperdível. Para os falantes de francês, inglês, italiano, ou alemão, amantes de cinema, ou não, quando vierem à Paris, devem colocá-lo na listinha. Fui com o pessoal da escola ao Cinema Rex Club, um dos primeiros de Paris, que fica em frente à estação de Bonne Nouvelle, nas linhas 8 e 9. Não fomos lá para assistir filme, mas, sim, para fazer um tour, pelo mesmo, conhecendo a sua história, o processo de criação dos filmes, dos efeitos especiais, do som, da imagem. FANTÁSTICO! O guia é virtual, por isso, quando não se entende alguma coisa, é preciso seguir, já que não se pode perguntar: “ahn, o que você disse?”. Ficamos parados em uma fila, até que uma caixa de som é ligada, ilumina-se uma porta, e nós seguimos. Nesse esquema de abrir e fechar de portas, entramos em diferentes salas, corredores, elevadores, que interagem com o público. Os celulares precisam estar desligados, já que usamos um colar, com alguma coisa com magnetismo, para os efeitos nos atingirem. A primeira sala é a da torre. Em cima do cinema tem uma torre alta, mas como não é possível ir até lá “a torre vem até você”. Assim como a torre, a sala é circular, e nas paredes são projetadas imagens, como se tivéssemos lá em cima. Primeiro eles mostram o que é possível ver da torre, depois, como era Paris, na época em que o cinema foi construído, com o passar do tempo e as suas modificações até os dias de hoje. Naturalmente, não se pode tirar foto. Vamos para a sala do diretor, vemos os aparelhos em que os filmes são projetados, as câmeras em que a luz passa e é transmitida para a tela. Assim com passamos por corredores em movimento, parece que estamos caindo. Tem lugares que são escuros, que temos que usar os outros sentidos para percebê-lo, como um chão todo de espuma. É muito doido! A parte mais legal, começa do meio pro final, que é quando interagimos de verdade. A “voz” manda nós irmos numa determinada direção, para sentirmos como é a gravação de uma cena em um barco. Então, do nada, o chão começa a tremer, liga um ventilador, que sopra vento na nossa cara e espirra água. É engraçadíssimo. Até então, não sabíamos que estávamos sendo filmados. Somente descobrimos, depois, de passar por uma sala, que aprendemos que o som da gravação não é usado junto com o som da imagem. As pessoas gravam a imagem, falando, mas depois tem que repetir as falas em um estúdio. Então, é a vez de cada um chegar no microfone e falar “je vous aime” com a imagem de um personagem qualquer. Mais uma vez, estamos sendo gravados. Seguimos um caminho, subindo uma escada, para ir até a sala do cinema, continuamos sendo gravados, sem saber, e nos sentamos nas poltronas ultraconfortáveis para assistir a um filme, que não sabíamos ser os protagonistas. Antes dele começar, a apresentadora do filme é uma personagem de desenho, e então aparece o rosto de cada um falando “je vous aime”. E ela o tempo inteiro “obrigada”, “não há de que”, “assim vocês me deixam tímida”... Eis que o filme começa. Aparece um barco chacoalhando em um mar furioso. Quando a câmera se aproxima, nós estamos dentro do barco! E é perfeito. Porque quando vem a onda, todo mundo coloca a mão no rosto (foi a hora em que espirrou água). Os cabelos voando, que engraçado! A única coisa que não tem nada a ver, é que a cara das pessoas, ao invés de ser desesperada, por estar no meio do mar, está dando gargalhadas. No final, tem uma premiação de óscar. E todos nós fomos receber o prêmio. A cena de nós entrando no palco, é a gravação de nós subindo as escadas pro cinema. Genial!  O passeio custa €9,30 e €8 para estudantes. Vale a pena!


Na quinta-feira, eu fui ao Musée Carnavalet, que conta a história de Paris. Ele fica no Marais, próximo à Place de Vosges. É um passeio imperdível. Como eu cheguei tarde, só deu tempo de ver o primeiro andar, terei que voltar para ver o segundo, que é o mais importante, a parte da Revolução Francesa. Ainda bem que ele é de graça, então não me matei de ódio, dele fechar, sem eu conseguir terminar de ver tudo. Do que eu vi, adorei ver as miniaturas da cidade. Tem umas maquetes dos mesmos lugares, com o passar do tempo. No começo do século XX, a cidade toda em ruelas estreitas, imagina a proliferação de doenças! Também tem do Hotel de Ville, da Ópera, vitrais perdidos de igrejas do século XV, um relógio de pêndulo, da época de Louis XV, que AINDA funciona. As salas da época da monarquia me lembraram o Château de Versailles, com os quadros da aristocracia, nas paredes, de cardeais, todos com cara de pilantra. Quadros de carnaval, esculturas dos personagens da comédia italiana, como o Arlequin, Pierrot, quadros de autores desconhecidos... Muito legal! Depois fui andando em diração à boulevard, que eu não sei o nome, onde fica a estação de Chemin Vert. Passei em uma padaria, quando senti o cheiro do pão quentinho, comprei uma baguette recheada, um palmier gigante e saí andando. Como queria sentar pra comer, parei no ponto de ônibus, me instalei, fiquei olhando a rua toda arborizada, comendo com o maior prazer. Até que chega um mendigo, senta do meu lado, querendo conversar. Eu to podendo? Ele começou perguntando a hora... Porra, pra que um mendigo que saber a hora? Se eu fosse mendiga, a última coisa que eu gostaria de saber era da hora. Depois ele começou a feder muito e eu tive que sair de perto. Imaginem só, mendigos já fedem, mendigos franceses fedem mais ainda! Andei até a Bastille, pra pegar um metrô, mas a estação estava fechada, então fui pro ponto de ônibus. Olha que chique, nos pontos de ônibus eles avisam em quanto tempo vai chegar cada ônibus que passa por lá. E é certinho. Fiquei lembrando de que todo sábado, quando vou pro ponto, pegar o Castelo, pra ir pro samba, que é sempre uma incógnita, peço à todos os santos e orixás, mas o mesmo nunca chega. Que atraso!




Sexta feira, pela primeira vez eu comi no bandejão da escola com prazer. Ao lado do bandejão propriamente dito, tem uma “comida do chef”, que costuma ser melhor. Não como lá todos os dias, porque tem dias que tem coisa que eu não gosto. Mas ontem, tinha um risoto de frango, ao molho de cogumelos, com cebola, cenoura, que estava divino. Comi de lamber os beiços. De tarde, eu descansei, para sair de noite. Fui no Quartier Latin só comer um kebab, desta vez, com outro visual. Depois de comprar, saí, como sempre, roubando as batatas com a boca e dando bicadas no pão árabe. Passei por cima de uma das pontes e desci as escadas em direção ao rio Sena. Sentei na mureta e fiquei no quentinho do sol de fim de tarde, vendo os barcos cheios de turista passando, tirando foto sem parar e me deliciando com aquele manjar dos deuses... Gente, com kebab aqui, não dá nem pra lembrar de feijão.



Quando voltei pro FIAP, descobri que o pessoal não ia sair mais, porque hoje eles acordariam cedo para ir à Versailles, então eu fiquei no bar daqui mesmo, conversando com uns espanhóis, tomando uma cerveja... Assim foi a minha sexta-feira. Calma, mas agradável.
Ah, esqueci de contar o principal! Eu estou me sentindo tão em casa, tão local, que nem parece que eu estou viajando. A impressão que eu tenho, é que vou encontrar com minha mãe em cinco minutos, dar um role com alguma amiga de noite... Até comecei a pensar na possibilidade de fazer um semestre da faculdade aqui. Quem sabe?

Em breve, mais novidades.
Já estou começando a sofrer de já estar aqui há 10 dias. Pode começar tudo de novo?
Gros Bises!

domingo, 17 de julho de 2011

Dans les petits coins de Paris

Com os dedos coçando e quebrando a cabeça para não esquecer das coisas, conto, agora, meu final de semana. Minha sexta-feira começou fantástica, pois na hora em que eu acordei tive uma grande surpresa. Estava eu, num sono profundo, quando eu escuto uma voz, com um francês carregado de sotaque árabe, que dizia: "hoje é dia de trocar os lençóis". Era a faxineira, que no dia anterior tinha arrumado o quarto, enquanto eu estava dormindo, mas nesse dia não podia repetir o ato, já que, como disse, era necessário trocar os lençóis. "Pas de problème. Eu me levanto agora." Primeiro, ela arrumou a cama da menina que dorme comigo, enquanto eu acabava de despertar, depois começou a arrumar a minha. Ela puxou assunto, perguntando da onde eu era, eu disse que do Brasil, e já suspeitando qual seria a resposta, eu perguntei de que país ela era. Quando ela me disse "Tunísia", eu não pensei duas vezes: "Acho que eu me lembro de você. Mabruka, não é?" Ela largou os lençóis, abriu um sorriso e veio rapidamente me dar um abração. Que coisa mais fofa!! Ela limpava o meu quarto no FIAP, no ano passado. "Eu sabia que eu conhecia o seu rosto de algum lugar, mas eu não conseguia me lembrar de onde. Minha cabeça não trabalha mais, estou ficando velha", ela disse. Então começamos a conversar, ela disse que adora os brasileiros, porque nós respeitamos a família. Disse que trabalha aqui há 43 anos, que chegou da Tunísia sem saber falar nada de francês, que se aposenta em três anos "se Allah desejar", que os tempos agora são outros, que, mesmo emprego de faxineira, só contratam gente com BAC(que é o exame de final de colégio, só com esse exame que se pode entrar na faculdade), fluente em três línguas, etc. Não me aguentei, e acabei perguntando como são os direitos do estrangeiros residentes aqui na França (eu largo o Direito, mas o Direito não me larga!), ela me disse que é a mesma coisa. Foi ótimo!
Almocei na rua, em Montparnasse. Assim como o Kebab, no primeiro dia, eu fui a um lugarzinho previamente escolhido para comer o crèpe que eu avalio como o melhor de Paris. Não sei o nome do lugar, mas fica, pra quem está de frente para as Galeries Lafayette, do lado esquerdo, na rua do Monoprix. É uma lanchonete, simples, mas maravilhosa. Um crèpe e um refrigerante saiu por €5,80. Depois, peguei o metrô e desci na estação da Châtelet e fui andar. Precisava encontrar uma loja Orange (a maior companhia de celular) e comprar o meu chip. Não encontrei a loja da companhia, mas uma de telefonia, eletrônicos, etc, que vendia chip também. O único problema, foi que eu paguei mais caro, paguei €10. Na compra, me pediram identificação e a xerox autenticada do meu passaporte serviu (não ando com passaporte original na rua, ele fica trancado dentro de casa, para evitar problemas). Entrei em uma galeria de arte super diferente, achei demais! Era uma casa de uns 5 andares e você entrava, seguindo o caminho no chão, as pinturas, as frases... Em cada andar tinha um tema e os artistas estavam trabalhando enquanto você olhava. Só te davam um "bonjour" e continuavam a criar. Umas coisas meio loucas, outras com sentido, umas pornográficas, outras engraçadas.. Um ótimo programa, que descobri por acaso, ao ler uma plaquinha "Galeria de Arte. Entrada Gratuita. Visite-nos, os artistas estão vivos". Legal, né?
Passei em frente ao Centre Pompidou, que é uma instituição voltada para a criação de arte moderna e contemporânea, com espaços de música, teatro, cinema e atividades literárias, criada por Georges Pompidou, e fiquei apreciando aquelas maluquices de arte contemporânea: bolha de sabão, umas esculturas que você não entende nada, uns exaustores gigantes (isso porque eu ainda nem entrei lá dentro), uma galera meio alternativa... Claro que ao falar em arte, e ainda mais arte contemporânea, não posso deixar de falar que lembrei da minha prima museóloga, Mayra, e tirei uma foto pra ela, de uma plaquinha que eu vi no metrô. "A arte deve discutir. Deve contestar. Deve protestar" - Gerorges Pompidou.

Mesmo com um calor digno de Rio de Janeiro (no outono, claro), continuei andando.




Fui até o Quartier Latin, e cheguei a conclusão de que na sexta eu devo ter saído muito "jeitosa" de casa. Fui cortejada na rua CINCO vezes! Sendo que três delas, os caras queriam me conhecer de qualquer jeito, conversar, saber daonde eu era, o que eu tava fazendo... Onde já se viu?! Vou sair com a mesma roupa todos os dias! Acabei o dia completamente morta, esgotada, rezando por uma cama, o mais rápido possível.



No sábado, peguei o metrô, para ir ao Musée de l'Orangerie, no Jardin des Tuileries. Como no metrô a vida acontece, mais uma vez eu tive uma surpresa. Estava eu na linha 12, na estação de Montparnasse, quando entra um músico no trem e começa a tocar ARY BARROSO! Eu tive que rir! Todo mundo fazendo cara de paisagem, de que nunca tinha escudado aquela música, e eu cantando à bessa Aquarela do Brasil.
Chegando ao museu, que é voltado para a arte impressionista, futurística e pré-moderna, assisti a duas exposições: a fixa e a temporária. Paguei €7 pelas duas, com meia entrada garantida pela carteirinha da UFF (é, eles aceitaram!). A primeira, começava por duas salas projetadas por Claude Monet, para abrigar uma coleção de quadros, que ele chamou de "Les Nymphéas", de tradução: "Os Nenúfares", uma espécie de planta aquática. Muito mais do que quadro de plantas, com água, reflexos, profundidade, etc, Monet desejava oferecer aos parisienses um ambiente de paz, no momento após a Primeira Guerra Mundial. A intenção era convidar à todos a uma contemplação da natureza, para valorizar a paz. São salas totalmente brancas, que não se pode fazer barulho (ah, tá bom, que os turistas respeitam) e com quatro quadros gigantescos em cada uma delas. É lindo! Emocionante!


As outras salas eram dedicadas à autores como Picasso, Modigliani, Derain e outros. A segunda exposição, foi de um artista impressionista do começo do século passado, Paul Guilaume. Tirando a parte de Monet, foi a parte da visita que eu mais gostei. Mesmo morrendo de dor nas costas, fiquei maravilhada com as cores, a vivacidade e a técnica desse artista. No momento em que eu estava indo embora, eu vi uma frase numa parede da sala, que ele escreveu em 1946; eu gostei tanto, que precisei escrever: "Cortona et Paris sont les villes auxquelles je me sens le plus lié: je suis né physiquement dans la première, intellectuelement et spirituellement dans la seconde". Fazendo uma alteração de Cortona por Niterói, eu achei a minha cara: "Niterói e Paris são as cidades as quais eu me sinto mais conectada; eu nasci fisicamente na primeira, intelectualmente e espiritualmente na segunda". Vai falar, que não é demais?!





Segui, então, para o Jardin des Tuilleries, para passear. O clima tava fresco, mas nada que fosse necessário muito casaco. Até tomei sorvete! Por sinal, sorveteria italiana Amorino... marveilleuse!



De noite, fui ao cinema, em Montparnasse, o Gaumont Montparnasse, assistir ao último filme do Harry Potter. Ah, vai, nada francês, eu sei. Mas sábado à noite, eu não tinha companhia pra sair, vou pra um bar sozinha? Eu não! Vou é pro cinema! Foi ótimo. Aqui, os óculos 3D são vendidos por €1, o que faz com que cada um tenha o seu, e não seja necessário usar aqueles que passaram nas cabeças cheias de piolho. Não sei se é porque o óculos estava novo, sem nenhum arranhão, sem gordura na lente, ou se o 3D aqui é melhor, mas foi a primeira vez que eu realmente vi as coisas vindo em cima de mim. Antes mesmo de começar o filme, nas propagandas, eu tomava vários sustos, achando que as coisas iam voar no meu rosto. Muito coisa de roça, né? Tinha que ter vergonha de contar.
Hoje, domingo, tive o desprazer de almoçar no alojamento do FIAP. Que comida mais horrorosa! Pra não ficar de barriga vazia, eu comi um prato de alface e cenoura, que estava mais gostoso (pra vocês terem noção como estava ruim o resto) que tudo, e tentei empurrar o prato quente. Mas era tão ruim, tão ruim, que eu deixei mais da metade da comida no prato. O pior de tudo, é que eu não posso deixar essa comida de lado e comer na rua, porque ela já está incluída no preço da habitação, então, para economizar, tem que comer aqui mesmo. Essa semana que passou, como eu ainda não tinha vínculos com a escola, horários a cumprir e passava o dia inteiro na rua, eu pude me deliciar com coisa boa na rua. Hoje isso mudou. Agora eu almoço, ou janto, engolindo a comida, pra que esse momento de desprazer passe rápido.
De tarde fui passear na Place de Vosges, no Marais. Fui com a intenção de passar batido pela praça, visitar a casa de Victor Hugo, ir ao Musée Carnavalet, que é perto, mas não consegui fazer nada além de admirar a arquitetura da praça, fazer pique-nique na grama, olhar as galerias de arte, assistir às apresentações dos artistas. Primeiro, tinha um grupo de uns 10 músicos, que tocavam uma música folclórica, meio cabaret, meio medieval, alucinante.







Depois, assisti uma Ópera, na rua, de graça. Ô glória! Essa, maravilhosa! Fiz até um vídeo, que já está no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=J94pukbrjxo


Por enquanto, c'est suffit.
À la prochaine.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Liberté, égalité et fraternité (para todos os pové)

Há exatamente 212 anos, eclodia no coração de Paris a Revolução Francesa, marcando o fim da Monarquia Absolutista neste país, sendo seguida pelos vizinhos do continente. Durante o período subsequente, até a subida de Napoleão Bonaparte ao poder, os revolucionários queriam massacrar a aristocracia, cabeças rolavam na guilhotina de Robespièrre, na Praça da Concórdia, destruía-se o palácio que existia no lugar que hoje é o Jardim das Tulherias, além de outras ações dos sedentos por liberdade, igualdade e fraternidade. Hoje, dia 14 de julho de 2011, contrariando as minhas expectativas de escutar para tudo quanto é lado a Marseillaise, a única coisa que eu ouvi foram os flashs das milhares de câmeras fotográficas, que circulavam por Paris, sob o manuseio de quem prefere ver com a máquina, que com os olhos.
Antes de relatar meu dia (que foi ÓTIMO), retomo ao post de ontem, seguindo conselhos recebidos do meu amigo Guilherme, para colocar preço nas coisas, facilitando a vida de quem planeja viajar. De ontem, o que interessa: paguei €9,10 pelo trem/metrô que me trouxe do aeroporto até em casa (isso é MUITO barato, visto que fica bem longe e os taxis costumam cobrar uns €70); kebab + refrigerante no Quartier Latin (o melhor lugar para comê-lo), €6,50. As passagens de metrô/ônibus/trem dentro da zona 1 e 2, que é a meiuca de Paris estão custando €1,70. Eu trouxe o meu Carte Navigo (o Rio Card daqui) do ano passado, para recarregar e usar durante um mês. No entanto, olhem que sacanagem; se eu recarregar por um mês, não é válido até o dia 14 de agosto, mas sim até o final de julho. Então eu pagaria por um mês (€63), para usar por duas semanas. Então eu decidi comprar por semana, que eu acho que é €17. Só que eu só posso fazer isso no domingo, porque a validade é nesse dia. Então, se eu comprasse hoje, quinta-feira, pagaria pela semana toda, mas só valeria até o domingo. Então eu comprei dez tickets, por €12, e recarregarei o meu cartão neste domingo. Pra já deixar avisado de uma vez, eu trouxe dois aparelhos celulares. Um com um chip do Brasil, outro sem nenhum. Amanhã, eu comprarei um chip em uma loja Orange, por €7,90, para falar com os meus amigos daqui, sem pagar uma fortuna de interurbano.
Quanto ao dia de hoje, não assisti ao desfile na Champs-Elysées, porque eu não sabia que era de manhã e não acordei à tempo. Não estou triste, porque, pelo que me falaram, é só um desfile dos milicos, que fica LOTADO de turista e de pick-pockets. Então, quem sabe eu não escapei de uma furada? Uma pena, porque o Sarcô, tava por lá(para os não íntimos, Nicolas Sarkozy), sem a sua esposa, que eu descobri hoje que está grávida. Carla Bruni vai ser mamãe!! (Dane-se, né?) De tarde, encontrei-me com a minha amiga Anaïs, que eu não via desde o ano passado, e estava morta de saudades! Passamos o dia na Torre Eiffel, onde rolaram vários shows e movimentos de solidariedade, pregando a igualdade, liberdade e fraternidade (já ouvi isso hoje). Grupos diversos estavam defendendo as suas causas: gays contra o homofobismo, estrangeiros pedindo asilo, direito de voto, fim do racismo... Enfim, pregava-se que uma vez em Paris, todos deveriam ser aceitos como parisienses. Apoiamos estas causas e ficamos etiquetadas: eu com uma contra o racismo e a Anaïs com uma contra o homofobismo.


Estivemos presentes em um FLASH MOBILE, que são aquelas propagandas, que as pessoas fazem coisas ao mesmo tempo, para transmitir alguma mensagem. Como a ideia era a solidariedade, liberadade, igualdade, fraternidade (palavras novas), o flash era que a partir de um determinado momento, todas as pessoas que estivessem presente se abraçassem, se beijassem, etc e tal, para espalhar o amor. Então soltaram-se várias bolas vermelhas em formato de coração, com gás hélio. Lindo demais!



Com tudo de mais 'turisteco' que tem direito, deitamos na grama da Champ-de-Mars (aquele jardim que fica em frente a torre), tiramos fotos, falamos alto, rimos e esperamos a tão esperada hora dos fogos, sob o som de um grande show, que acontecia aos pés da majestosa torre. Quando a música parou e nós já não aguentávamos mais reclamar de como aquele lugar estava lotado, sem ter espaço nem para uma pulga, e de pessoas altas na nossa frente (always), começaram so fogos de artifício. Que foda!!! O pessoal não tava nem aí, mas eu gritava muito! Que emocionante! Eu, ali, na frente dela, da obra de Gustave Eiffel, para a exposição mundial de 1889, que começou com fogos das cores da bandeira da França, azul, branco e vermelho, depois em formato de coração, e, por último, em várias cores e formas. Se não fosse por um imbecil, que levantou uma menino nos ombros, e atrapalhou a visão de umas 30 pessoas, inclusive a minha, o espetáculo teria sido mais bonito. E é claro, como em qualquer evento importante, minha câmera acabou a bateria na hora dos fogos. Eu sempre penso em ficar puta com essas coisas, mas ao mesmo tempo procuro relevar e acreditar que é um acontecimento necessário para que eu grave com a memória e não com máquinas, como os outros 98% presentes. A minha amiga conseguiu tirar umas dez fotos com a câmera dela e foi o suficiente para registrar o momento.



Depois, pensamos em seguir para o Baile dos Bombeiros, que acontece nos dias 13 e 14 de julho, onde os bombeiros abrem os portões do Corpo de Bombeiros, para o público se embebedar e dançar. Não conseguimos ir, pois estavamos derrotadas de cansaço e o metrô ia fechar. Passei um perrengue danado para entrar no mesmo. A estação de La Motte Picquet Grenelle estava parecendo a Central do Brasil, às seis horas da tarde de uma sexta-feira (pai, nem ouse me perguntar porque eu não fui de taxi; o dinheiro que eu gastaria no mesmo, eu gasto na Zara ou na Sephora, ok?), mas o policiamento ajudou bastante.

Mais uma vez, cairei nos braços de Morfeu completamente morta.
E o melhor de tudo, é pensar que essa farra está só começando!
Até qualquer hora.
Au revoir mes chèrs!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

PARIS; plus une fois!

Depois de quatro meses parada, retomo o Porcarias, peripécias e pilantragens na ville de mon coeur: Paris. Sem repetir o erro do ano passado, peguei um voo direto Rio - Paris, que me custou menos dor de cabeça. Cheguei adiantada no aeroporto, lanchei com dona Mércia e seu Frederic, entrei cedo na sala de embarque, dei uma olhadela no dutyfree(sem comprar nada), estava até estranhando que as coisas estavam muito normais pra mim. Foi só pensar nisso, que quando eu entro no avião, quem está ao meu lado? A Ariadna, do BBB! Mentira, mas era um travecão, daqueles bem extravagantes. Gente, que pessoa estranha. Não por ser travesti, mas por ser estranha. Ficou me fazendo umas perguntas nada a ver e, quando eu abri a bolsa, me pediu chiclete. Eu dei, né? Depois me mostrou o passaporte dela, pra eu ver se ela/ele se parecia com a foto, porque todos diziam que não era a mesma pessoa, porque em um ela estava loira de cabelo curto e, no outro, morena, de cabelo grande. Eu hein!! Gente maluca!
Depois de 11 horas de voo e um pouso perfeito, eis que escuto uma voz abençoada: "Bem vindo ao aeroporto internacional Charles de Gaulle, Paris". Ai, que alegria. Imigração: ok. Mala: demorou, mas chegou. ok. Ligação para Brasil de telefone público: ok. Agora, quando chegou a hora de encontrar o trem, pra sair do aeroporto, puta merda, eu parecia uma barata tonta. Andando com aquela mala pra cima e pra baixo, eu só tinha vontade de rir da minha situação (ainda bem que não era chorar!). Depois, quando finalmente encontrei o lugar, rodei, rodei, rodei em busca de um guichê, pra comprar o bilhete do trem, mas só tinha aquelas máquinas digitais. Como uma boa turista retardada, fiquei algum tempo em frente daquele objeto do inferno, cheia de moeda na mão, olhando mala, olhando mochila, preocupada com passaporte, enquanto formava uma fila gigantesca, com pessoas felizes atrás de mim. Não tive coragem de continuar, sai da fila, contei minhas moedas e entrei na mesma, novamente, quando tinha ficado vazia. Não tava com pressa, ué!
Nas poucas vezes que eu precisei me comunicar, percebi que ainda estou um pouco travada, precisando de um tapa no pescoço e um grito no pé do ouvido: "Fala pra fora, porra!" Mas acho que em poucos dias eu me acostumo. Sabiamente, desci em uma estação antes da minha, que, por ser de grande porte, eu imaginei que haveriam escadas rolantes. Pois bem, deparei-me com um lindo elevador, que me impediu de mais uma cena ridícula, com mala grande em metrô. Sem olhar o mapa, desci nessa estação e lembrei-me rapidamente o caminho de casa (pois é, me acostumo rápido. Passo um dia fora de casa e já chamo o novo lugar de casa). Como Danuza Leão disse no seu livro "Fazendo as malas", sendo completamente diferente de Niterói (acredito que do Rio de Janeiro também), aqui as coisas tem o costume de durar. Explicando melhor, não é como na minha cidade, que hoje tem uma papelaria, amanhã vira uma loja de roupa, depois de amanhã vira um salão de beleza, ou uma farmácia (depois de virar farmácia, não muda mais, por isso que temos 3 farmácias por habitante). Como eu ia dizendo, no caminho de casa, vi que estava tudo no seu lugar, a vendinha, os cafés, os restaurantes, tudo igual.
Então, cheguei no FIAP - Jean Monnet, meu alojamento, me identifiquei e resolvi tudo em poucos minutos. Quando fui caminhando para o quarto, cruzei os dedos e fui torcendo "vou ficar sozinha, vou ficar sozinha", então eu abro a porta e me deparo com um pé de tênis. Droga! Eu estava acompanhada. Luíza, brasileira, de São Paulo. Embora isso seja um estímulo a "não falar francês", foi legal conhecê-la. Parece ser uma simpatia, já me adiantou que tem MUITOS brasileiros na escola, inclusive uma menina de NITERÓI. Puta que pariu, né? Olha essa praga! Também me avisou que ela está tendo aula com um professor, chamado Dominique, que não gosta de brasileiros e essa semana, soltou uma assim: "tomem cuidado na festa de não sei o que, porque existem os batedores de carteira. Mas também não precisam se preocupar muito não, porque isso daqui não é Brasil. Ninguém vai cortar a sua cabeça". Meu sangue já ferveu e eu perguntei a ela se ela não pediu pro professor conferir se tinha algum corte no pescoço dela, resultado de alguém que tenha guilhotinado ela no Brasilzão. Bem, espero que eu não pegue esse cara!
Tomei um banho quentinho e fui pra rua comer, porque eu estava azul de fome. Não me permiti parar em lugar nenhum, que não fosse exatamente uma lojinha em especial, de Kebab, entre as outras 50 que existem no Quartier Latin. Acompanhado com um refrigerante, fui andando para a Catedral de Notre-Dame, roubando umas batatas fritas com a boca, já que as mãos estavam ocupadas, sentei-me e finalmente pude apreciar o manjar dos deuses.
KEBAB, SONHO COM VOCÊ DESDE MAIO DO ANO PASSADO! Melhor momento do dia, disparado!! Agora sim, me senti em Paris.
Amanhã, é o 14 juillet, queda da Bastilha, REVOLUÇÃO FRANCESA! Viva la revolución!
Vou acordar o mais cedo possível, apesar do meu cansaço e de já passar de duas horas da manhã, para aproveitar o dia de festa.
É isso, à bientôt!