domingo, 13 de janeiro de 2013

Colômbia: o perigo é você querer ficar.


Impossível essa frase fazer mais sentido. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas saí da Colômbia com a impressão de que em outra vida eu já fui colombiana. Pelas três cidades que eu conheci, posso falar que minha experiência foi maravilhosa. A Colômbia me encantou e me surpreendeu muito. Não imaginava que podia me identificar tanto com esse lugar. Estou em terras tupiniquins há menos de 24 horas e ainda me encontro em alfa, sem acreditar que tudo acabou... Aqui vou eu, resgatar na memória e no caderno as histórias que vieram pós Cartagena e que contribuíram para fechar com chave de ouro essa viagem.
San Andrés. Se esse lugar não é o paraíso, nenhum outro é. Não tenho coragem de falar que foi onde eu vi as praias mais bonitas da minha vida, pois tenho claramente as imagens de Fernando de Noronha que não me deixam mentir. Entretanto, não posso negar que foi o lugar onde a cor da água mais me deixou abestalhada. Um azul que eu não sabia existir no mundo real, que ninguém nunca viu numa paleta de cores da Coral ou da Suvinil. Aquele azul, que mesmo olhando durante horas a fio, é difícil de acreditar que existe. Mesmo quando fomos à praia do centro, perto de casa, a menos bonita comparada às outras que visitamos, não dava pra parar de se impressionar a cada vez que olhávamos o mar. Ao piscar, ou olhar para o lado, ou se distrair, quando mirávamos o mar novamente, era um susto. Que lugar é esse!?!


Ultrapassei todos os meus conceitos de estar maravilhada, quando fizemos um passeio de barco até a ilha de Cayo Bolívar. Uma aventura, suportada só por quem tem estômago de marinheiro. Paguei por uma saída de barco e ganhei um ingresso de montanha russa. Por azar (ou sorte, para quem gosta de emoção), pegamos o mar muito agitado, diferente do normal, de acordo com o barqueiro. Quanto estávamos em alto mar, as ondas eram tão gigantes, que a cada 5 minutos o barco subia a uma altura monstruosa e caía com a maior força na água, deixando todo mundo com a leve sensação de que a alma saia do corpo em cada queda livre. Com as bolsas e mochilas dentro de sacos plásticos, falsamente protegidas da água, os menos de 20 integrantes do barco saíram do mesmo, sem sequer uma parte do corpo seca. Eu adorei! Mas não foi bom assim para todo mundo... Depois de esperarmos mais de meia hora, para a chegada de um casal venezuelano, tivemos que aguentá-los com sérios problemas dentro do barco. A menina não parava de chorar, dizendo "Quiero mi padre", e o cara, racista, que chamava o barqueiro, de maneira rude e preconceituosa, só reclamava dizendo que não havia pagado por aquela "merda", tendo como resposta irônica e muito bem dada pelo nosso capitão: "Hay que ser valente!". Em meio a alguns gritos, quando éramos surpreendidos por alguma onda, eu, a Lud e umas argentinas doidas cantávamos nos esgoelando a música de Titanic. Foi demais! Tudo ficava ainda mais engraçado com os comentários religiosos do nosso capitão, apelidado por uma baiana de Capitão de Jesus. Tanto na ida, quanto na volta, fomos convidados a bater palmas para Deus, para pedir e para agradecer pela proteção no passeio. Divino! Literalmente.


Ainda na ida, eu perdi todas as chances da minha vida de ganhar na loteria, quando um peixe voador saiu da água com toda a voracidade e veio parar na minha cara. Sim, tomei um soco no nariz, e quando ainda estava um pouco zonza, sem saber o que tinha acontecido, Ludmilla olha pra minha perna e começa a gritar. Quando percebi, tinha um peixe se debatendo no meu colo. Aproveitei o embalo e gritei também! Loteria foi pro espaço... Quando chegamos ao nosso destino, percebemos que valeu cada segundo e cada centavo. Não dá nem pra tentar descrever. Embora eu fale que a água era calma, com poucas ondas, onde imaginávamos estar numa piscina de tão clara, com areia branca e um coqueiral na beira da praia, eu não conseguirei relatar a beleza daquele lugar.


Passamos a maior parte do tempo nessa ilha, que era um território militar, e só tinha o nosso barco de turismo. A praia era nossa! Depois, fomos de tarde para outra ilha, próxima, e que, essa sim, era DESERTA. Até nadar pelada foi possível. Que liberdade! O barco foi embora e nos deixou lá, com hora marcada para buscar. A ilha não tinha nada, casa, bar, pessoas, nada, nada, nada. Nem sombra, tinha! O passeio não foi muito barato, custou COP$180.000 (uns R$200), pois as ilhas ficavam longe, com almoço incluído e bebida liberada (água, refrigerante e cerveja). Nossa, com a cerveja na mão, dentro d'água, no mar do caribe, eu estava me sentindo muito patroa. Que vidão!
San Andrés é pequena, por isso nós demos a volta na mesma duas vezes. Num dia, alugamos um carrinho de golf por COP$100.000 (mais ou menos R$125), deu pouco mais de R$40 pra cada uma, e no outro, alugamos bicicletas por COP$25.000 (+/- R$30). Da primeira vez rodamos no sentido horário, da segunda, no anti-horário. Passamos por praias sensacionais (San Luís, Bongo's Place, La Piscinita, West View, Ensenada del Cove...), com visuais completamente diferentes. Parávamos sempre que queríamos para mergulhar, tomar uma bebida, descansar... Um dos lugares mais divertidos foi o balneário de West View, onde pagamos COP$3.000 (menos de R$4), para entrar e mergulhar num marzão com muito peixe. Como era uma encosta, só dava pra entrar pulando, descendo pela escada, por um toboágua ou por um trampolim. Fui em todos. Venci meu pavor de pular de lugares altos. Apesar de entrar água no ouvido, no nariz, biquíni sair, foi um máximo. Adorei!





Só uma observação, as praias tem nomes em inglês e espanhol, pois a ilha é bilíngue. A colonização foi inglesa e espanhola. Alias, parece que os san andresanos possuem maior identificação com a Jamaica, que com a Colômbia. É tudo muito diferente. Continuando, percebi uma proximidade muito grande com os locais. A relação com a ilha e com os moradores, era muito intimista. Na fila de uma lanchonete, um cara me cutucou pra me perguntar o idioma que eu estava falando com a Mariana, no rolé de bike, ou de carro, as pessoas acenavam, mexiam com a cabeça, diziam "bom dia", sorriam... Um astral muito bom! Quatro crianças de bicicleta seguraram no nosso carro e foram sendo puxadas pela gente, sem fazer esforço. Muito engraçado!









Quando estávamos de bicicleta, eu não resisti ao fone de ouvido, para aproveitar aquele momento com a trilha sonora escolhida. Parecia que eu estava no clipe da música "Love Generation" (Bob Sinclar), pedalando numa estrada na beira do mar, num lugar foda.




Os perrengues, sempre presentes foram tranquilos. No dia do carrinho, ele parou de funcionar num dos nossos pit stop. Por sorte, tinha um restaurante perto, onde eu consegui ligar pra empresa que alugou, para que eles mandassem um mecânico. Enquanto ele não chegava, ficamos na praia. Vida difícil. No dia da bike, tivemos um pequeno acidente com a Lud, que se esborrachou no chão, depois que um maldito de moto cortou ela pela direita, quando ela jogou a bicicleta pra este lado, achando que ele fosse passar pelo lado correto, a esquerda. Felizmente, já estava no final do passeio, não foi grave e pudemos continuar pedalando em direção à casa. As comidas que impressionaram na cidade foram: empanadas de lagosta e caranguejo, comidas na praia do centro, arepas no "El Rey de las Arepas", que é um salgado tradicional, parecido com uma tapioca, só que feito a base de milho, recheado com queijo e frango ou carne. BOM DEMAIS!!! Comemos também numa lanchonete, a "Kirikiki", onde o forte era o frango. "Pechuga de pollo con papas", melhor podrão da vida!
Bogotá, última parada, também não deixou a desejar. Substituímos os biquínis e as cangas por casacos e cachecóis. A altitude não matou só no frio, a falta de ar também foi pesada. No primeiro dia então, falta de ar, dor de cabeça, enjoo, no segundo só estava um pouco difícil de respirar, no terceiro eu já estava fazendo tour de bicicleta, subindo e descendo ladeira, feliz com as hemácias adquiridas. A cidade é lindíssima, limpa, segura, com transporte eficiente e trânsito que flui. Visitamos o Centro Histórico, o Centro Cultural Gabriel Garcia Marques, o Museu Botero (que além de obras do artista, também era carregado de Matisse, Picasso, Monet, Renoir, Toulouse-Lautrec, Miró... Bom demais!), o Museu do Ouro e várias Igrejas. A impressão que dá é que tem uma do lado da outra. Muita livraria. Isso foi algo que chamou a atenção, bem parecido com Buenos Aires. E a cidade é carregada de manifestação política nos muros. Coisa de sociedade que lê e que pensa. Bonito de se ver.











O melhor rolé da cidade foi o de bicicleta. Fizemos um tour de 6 horas, com a Bike Tour Bogotá (Cra Tercera, No. 12-72, Candelaria) que custou COP$35.000 (+/- R$40), com várias paradas sensacionais. Uma das primeiras foi no mercadão, no Centro, onde provamos mais de 15 tipos de fruta (Mamoncillo, Lulo, Granadía, Uchuva, Guanábana, Mangostino, Sapote, Pitaya, Higo, Tomato de Árbol con Raspeberry e outros que não me lembro o nome...). Conhecemos a "Red Light", que nem se compara com a de Amsterdã. É apenas uma região onde a prostituição é permitida e as primas ficam na rua, vendendo seus serviços. Depois seguimos para uma fábrica de café, onde, no final, tomamos um cafezinho adoçado com rapadura em pó, a famosa "panela". Delicioso! Passamos por um antigo estádio onde aconteciam as touradas, até serem proibidas. No meio do caminho, as surpresas eram a melhor parte. Encontramos o "Osama Bin Laden" de Bogotá, um sujeito que se vestia de Bin Laden e dizia proteger a região. Conhecemos crianças SENSACIONAIS: conversadeiras, inteligentes e carinhosas ao extremo, quando fazíamos uma pausa ou outra. Elas gostavam de pegar as câmeras para tomar ou posar para fotos. Demais!













Encontramos com nossos amigos brasileiros de Cartagena e fomos juntos à cidade de Zipaquirá, a pouco mais de uma hora de Bogotá, para conhecer a Catedral de Sal. Pegamos o transmilenio (uma espécie de transoeste daqui do Rio) e um ônibus, que no total deu COP$5.300 (+/- R$6). Depois de andar uns 20 minutos, chegamos à entrada do estabelecimento. Pagamos COP$20.000 (+/-25) para entrar na mina. É uma caverna com mais de 1,5km de extensão com diversas capelas iluminadas e um espaço maior, como se fosse o salão principal de uma igreja, com bancos, altar e tudo mais. Nunca vi nada igual, mas é o tipo de programa dispensado a quem for claustrofóbico. Quando já estávamos há algum tempo andando lá dentro, surgiu uma vontade coletiva de bater no Felipe, um dos nossos amigos, quando ele disse: "Po, véi, deve ter sido foda ficar preso na mina, né?", seguido de um pavor coletivo de: "Caraca moleque, isso é hora de falar essas coisas?". Felizmente, o episódio do desabamento da mina não se repetiu com a gente.



Em Bogotá, conheci um restaurante maravilhoso, o El Gato Gris. Ele fica ao lado da Plaza del Chorro Quevedo, na Candelária. No frio que faz à noite em Bogotá, não poderia ter lugar mais aconchegante. Um casarão de dois andares, possui um salão maior embaixo, aquecido por uma lareira e pequenas salas no andar de cima, com sofás e pufes, para quem preferir um espaço mais reservado. Com decoração de madeira, quadros surrealistas, fotos retrô, armários antigos com louças e livros, davam um ar de "casa antiga". Quando cheguei, estava tocando "Strawberry Fields Forever" dos Beatles e seguido de outras músicas da banda. O som de fundo só mudou, quando chegou um grupo de músicos, com violoncelo, tambor e violão, que foi de arrasar. Em alguns momentos parecia uma música country, em outros, jazz. Não sei exatamente o que eles tocavam, mas era muito bom. Outro lugar imperdível é o Bogotá Beer's Company. Um bar com cervejas artesanais da melhor qualidade, que não é caro e possui um ambiente agradabilíssimo para reunião de amigos. Foi lá o primeiro encontro com o pessoal de Cartagena. A degustação de cervejas, combinada com duas porções de Nachos, com guacamole, frango desfiado, sour cream e um molho picante, veio junto de um delicioso encontro. Sensacional!
Bem, como que tudo que é bom tem que acabar, foi com muita tristeza que eu me despedi desse país que tanto me acolheu, com todas as delicadezas de "a la orden", "mucho gusto", "mi amor", "corazón lindo" e "que estés muy bien" muitas vezes escutados. Por pouco eu não ficava por lá. A minha vontade era de mudar o voo de volta Brasil para Cartagena e começar tudo de novo. Agora só em sonho, até eu viajar pra outro lugar e me fascinar de novo...
Até breve (eu espero).

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Señores pasajeros, sean todos bienvenidos a Cartagena



Essa frase, por si só, já causa um frisson. Desde que cheguei na belíssima Cartagena de Índias, Colômbia, vivi com máxima intensidade os dias que passaram. Já sinto a nostalgia dessa primeira etapa, que foi tão incrível, motivada principalmente pelas pessoas que conheci.
As pessoas, o lugar e o tempo compuseram um cenário perfeito para as mais brilhantes memórias. Vejo um pouco de teoria do caos nisso tudo; se qualquer um desses itens não estivesse presente, a história seria outra. Cartagena me acolheu de uma maneira que, mesmo que eu pudesse, não conseguiria definir em palavras. A cidade é mágica. Ao atravessar a muralha, que leva à cidade antiga, sentimos um astral diferente; a energia se transforma.
Não sei se chegar na véspera de Natal contribuiu, ou se foi pura sorte, sei que o clima no albergue era sem igual. Nunca vi nada parecido. Com ambiente agradabilíssimo, um perfeito espaço para interação, localizado em uma área externa, entre os quartos e uma equipe fantástica, não tinha como sair coisa ruim. Participamos da ceia de natal e emendamos na bebedeira antes da fiesta. Em meio aos gringos, com os quais me comuniquei com aquele “portunhol” brabo e um inglês preguiçoso, conheci brasileiros encantadores. Um grupo tão bom, que depois de passar alguns dias juntos, parecia que nos conhecíamos há meses. Na primeira noite, fomos num bando de umas 15 ou 20 pessoas para a rua.  Paramos numa casa chamada “Salsa Colombia” que tinha música ao vivo e bons mojitos. Ao botar os pés lá dentro, meus ouvidos já foram premiados com “Guantanamera”. Parecia que eu estava num filme!
Durante o dia, suspeitávamos estar em pleno sertão nordestino, de tanto calor! Sem estações definidas, salvo pelo inverno, que é a época das chuvas, Cartagena tem sol na cabeça o ano inteiro. Tanto é, que os lugares não costumam ter água quente, porque não é necessário. Aliviamos a sensação térmica com muitos dias de praia. As melhores, na minha opinião, não foram as mais bonitas, mas as mais tranquilas. Não sei se isso se estende à Colômbia inteira, mas Cartagena sofre com o assédio insuportável de vendedores, ambulantes, prestadores de serviço e afins. O lugar mais badalado é Playa Blanca e as Islas del Rosario, onde é necessário pegar barco para chegar. Seguindo a minha intuição, achei uma roubada. Extremamente turístico, onde você se sente feito de otário o tempo inteiro. As opções que chegam às pessoas para ir são limitadas: pegar uma lancha ou uma espécie de barca, ambas saindo do porto. Por essa razão, já se paga COP$12.000 (pesos colombianos), que dá uns U$8 (dólares), que é a taxa do porto. O passeio com a lancha, que é mais rápido, custa COP$50.000 (= U$30) por pessoa, enquanto o de barca, COP$40.000 (U$25), ambos com o almoço incluído. A vantagem do mais caro é que é mais rápido, 40 min., enquanto o mais barato, cerca de duas horas. Em relação ao visual, as praias são realmente sensacionais; a cor da água é inexplicável. Nós pegamos a opção mais demorada, a da barca, que é a furada das furadas. A ida, já é na maior farofada, com direito a música alta, mãe brigando com criança e “animador” no microfone do barco. Ao chegar lá, temos que comer no restaurante da empresa do barco, sem opções de cardápio. É sempre o mesmo rango, que, apesar de ser o tradicional daqui, é feito da maneira mais “chinfrin”. Quando fomos para a areia, ficar na beira d’água, parecia que estávamos no final de um jantar de churrascaria, onde o “não, obrigado” entra por osmose na nossa fala. É muita gente oferecendo coisa o tempo todo. Ir pra água, não é sinônimo de paz, visto que demônios montados em Jet Sky passam quase arrancando o nosso braço, perguntando se estamos interessadas em alugá-lo. Isso sem falar dos que vem oferecer aluguel de boia, de máscara e snorkel, de passeios de mergulho... Muito trash! As melhores praias estão fora desse circuito e a melhor maneira de chegar é fechando um barquinho, que não sai caro, porque eles cobram por pessoa (quanto maior o número, melhor a negociação do preço), que acaba saindo barato. As lanchas costumam sair da playa de Castillo Grande, não precisando pagar a taxa do porto. Com o barco, fomos num dia até Punta Arenas, no outro até Playa Linda. Ambas não possuíam a água tão transparente quanto Playa Blanca, mas já valeu a pena só pela paz. Nesta última, sim, comemos uma comidinha tradicional, que também era a única coisa que tinha, que estava muito saborosa. Um peixe (pargo) frito, com arroz de coco, patacones (acompanhamento feito com bananas amassadas fritas) e salada.






Por falar em comida, a cada dia fico mais maravilhada com as laricas daqui. Por diversas vezes, quebramos a cabeça na tentativa de eleger qual é melhor. No dia do natal, comemos num restaurante cubano, indicado pela Coleção Viagem de Bolso – Colômbia, da Editora Abril, SENSACIONAL! Localizado na Calle Santo Domingo 33-81, Centro, o La Bodeguita del Medio, foi o lugar onde eu tomei o melhor mojito da Colômbia. Antes do prato principal, pedimos de entrada, uma combinação de frutos do mar muito bem temperada e mandioquinha frita, que já elegeu o restaurante como se não o melhor, um dos melhores.  Outro que superou as expectativas foi uma loja da rede Crepes & Waffles, com crepes que, apesar de completamente diferente dos franceses, eram maravilhosos. Tanto os salgados, quanto as sobremesas eram encantadores de visual e sabor. O atendimento que deixou a desejar na segunda vez que fomos, com a vinda de pratos trocados e demora, mas nada que apagasse o brilho do restaurante. O mais top de todos foi o La Cevicheria , que fica na Plazoleta de San Diego. Como fazia muito calor, para beber, pedimos uma cerveja (Club Colombia, uma das mais tradicionais) michelada. Ela vem num copo com limão, gelo e sal na borda. Parece uma mistura de cerveja com Marguerita, sem a tequila. Muito gostosa! Antes de pedirmos as entradas, nos serviram como couvert uma porção de chips de banana com um molho a base de manga. Uma coisa de outro mundo! Então pedimos dois aperitivos: “Camarones a la Diabla”, cozidos e servidos num caldinho picante, com limão e cebola roxa e “Muelitas de Cangrejo”, as famosas patinhas de caranguejo já sem a casca, marinadas num vinagre de mostarda. Os pratos eram individuais, mas preferi dividir com a Mariana.  Modéstia a parte, mas MANDAMOS MUITO BEM! Camarões, anéis de lula e caranguejo servidos em um caldo a base de tomates e uns temperinhos maravilhosos. Esse almoço foi de ver estrelas! Não foi barato, ao pensar que se tratava de um grupo de jovens mochileiros, mas pela sofisticação de tudo, o preço foi bom. Saiu COP$56.290 (+/- U$35) por pessoa.






Das comédias da viagem, logo no primeiro dia, fomos a um vulcão, o Volcón del Totumo. Seria apenas mais um passeio se não tivesse sido doideira do começo ao fim. Foi um daqueles programas de índio que no final valeram a pena. Não acreditei que peguei uma hora de ônibus em direção à Barranquilla (o vulcão ficava entre esta e Cartagena), para mergulhar numa caixa de lama de uma abertura de mais ou menos 3 metros de diâmetro e mais de 1.500 metros de profundidade. Quando eu cheguei pensei que fosse matar Mariana por estar ali. Nós e Ludmilla, pensamos em desistir umas três vezes até entrar. O espaço era pequeno, pra quantidade de pessoas que haviam, o que dava uma sensação de falta de higiene bizarra, no meio daquele lamaçal que não era frio, nem quente. Minha privacidade começou a ser invadida a partir do momento que uns sujeitos com cara de peão começaram me fazer massagem, aproveitando que a lama era boa pra pele (eu espero mesmo que seja) e que tinha um turista otário ali pra dar um dinheiro depois. Mas a minha dignidade só acabou mesmo, quando, pós o mergulho na lama, fomos para um rio tirar o grude e tinha uma muchacha pra cada pessoa, ajudando a limpar (tudo pelo trocadinho de depois...). Tava tranquilo, enquanto elas se restringiam a jogar água com uma bacia na nossa cabeça, para ajudar a tirar aquela pasta densa do cabelo e do rosto. Começou a ficar esquisito quando a chica que cuidava de mim enfiou o dedo no meu ouvido pra ajudar a limpar, depois já saiu tirando meu sutiã do biquine, sem direito de escolha e sem nem ao menos uma cervejinha. Quando eu fui ver, já estava pagando peitinho no meio daquela galera. Todos estavam na mesma situação, só que eu, em especial, estava numa parte mais rasa do rio, o que me impedia de afundar. Já estava conformada, de mente aberta, pensando que gringo é descolado e que nós que somos conservadores, quando a mulher começa a gritar no meu ouvido “LA TANGA! LA TANGA!”. Era só o que me faltava, agora ela queria que eu tirasse a calcinha!!! Aquilo era quase um estupro. Pois bem, eu tirei e a doida já saiu arrancando da minha mão, pra ela mesma lavar. Que horror! Pelo menos, as partes debaixo ficaram escondidas dentro d’água. No final eu já estava rindo, achando graça daquilo, mas obviamente tive que pagar no final.




Das observações aleatórias, difíceis de encaixar num contexto apropriado, a Vivian (uma brasileira que conhecemos aqui), está fazendo sucesso com seu espanhol aprendido recentemente. Outro dia, no restaurante, deixou algumas pessoas assustadas ao falar com entonação forte “TENGO HOMBRE”, na tentativa de falar que tinha “hambre”, causando confusão quando quis demonstrar que tinha fome. (...) Foi fofo passar um dia dizendo “Merry Christmas” e “Feliz Navidad”, com os gringos cantando músicas natalinas de seus determinados países. (...) Não imaginava que as noches de Cartagena eram tão iradas, quanto as pessoas falavam, até as noitadas louquíssimas no Mister Babilla (apelidado mais tarde, por um amigo, de Babilla Tequila, sem maiores explicações – o mesmo que depois afirmou “Tequila is suicide”) e no hostel Media Luna, onde têm festas às quartas. (...) Tivemos má impressão de grande parte dos argentinos que estavam no nosso hostel. Obviamente que não foram todos, conhecemos pessoas maravilhosas de La Plata e alguns de Buenos Aires, mas a maioria dos portenhos são folgados, exibidos e mal educados. Hoje, por exemplo, teve barraco com uma americana, que tava revoltada, com os caras falando alto a vera de manhã, com som ligado, gargalhando, como se fossem os únicos hóspedes, com direito a xingamentos e agressões de “Go back to your fuckin’ country” pra baixo. Durante a maior parte dos dias, ficamos em um quarto de 12 pessoas e frequentemente acordávamos com um despertador alto a vera, tocando Cumbia, seguido por falatório, luz acesa, gargalhadas, não importava a hora que fosse. (...) Por último, a beleza de ficar numa cidade por mais de uma semana é que dá pra sentir o lugar sem pressa, curtindo algumas delícias, que só são feitas por quem tem tempo de sobra, como deitar em cima da muralha, de frente pro mar, vendo o pôr do sol e ouvindo Novos Baianos. O dia 31 foi regado a yoga e banho de mar assistindo o último sol do ano indo embora, para se livrar da energia negativa de 2012 e começar o ano novo com o espírito renovado. 


Bem, já era hora deste post chegar ao fim, bem como chegaram os dias em Cartagena. Foram 9 dias muito bem vividos, que não me permitiram pausar um minuto sequer para escrever. Estou apaixonada por essa cidade. As ruas estreitas, os casarões coloridos, a quase inexistência de carros estacionados nas ruas, o espírito histórico, as praças charmosas e as belas praias são um convite a não querer sair mais daqui. Já imaginava que ia me encantar com esse lugar, mas não sabia que iria superar tanto as minhas expectativas.







Agora, seguimos viagem rumo à ilha de San Andrés.
Vamos al Caribe! OOOOlé!