Quanto mais o tempo passa, sem que eu escreva nada, mais eu sofro pra conseguir me lembrar de tudo. Tenho a minha agenda à tira colo, que já está horrorosa de tantos rabiscos e anotações, mas mesmo assim alguns detalhes, momentos e pensamentos vão embora por falta de registro. Estou pensando em começar a andar com um caderno na bolsa, para anotar todas as coisas que eu tenho vontade de escrever, mas acabo sempre deixando pra lá. Seria talvez como “os cadernos de anotar da vida” de Clara, personagem de “A Casa dos Espíritos” de Isabel Allende. Quem sabe um dia eu não ponho em prática?
Terei que escrever um post diferente desta vez. Sem a ordem seguida anteriormente, visto que será impossível falar separadamente de cada dia, depois de tanto tempo. Então, para não me esquecer das coisas mais importantes, dividirei o mesmo em temas. Começarei pela primeira das duas escapadas de Paris, e a única da França, Amsterdam.
Como já estava nos meus planos, eu me apaixonei perdidamente pela cidade. Ok, não é nenhuma Paris, que eu digo que moro fácil. Acho que, por ser muito pequena, eu ia ficar nervosa morando lá. Mas passaria alguns meses brincando. Fui de trem bala, o TGV, que eu peguei em Paris, na Gare du Nord. Tendo comprado a passagem com dois meses de antecedência, consegui um ótimo preço. Paguei €90, por ida e volta. São mais ou menos 3 horas de viagem. O meu trem tinha três escalas antes do destino final: Bruxelas, Roterdam e Schipol. Em todas as cidades eu acordei assustada, com o pessoal saindo, achando que ia ficar pra traz. Quando cheguei, já me desesperei com aquele código impossível de decifrar: o holandês. O que eram aquelas placas com nomes de 15 consoantes e 3 vogais, com umas tremas no meio e uns acentos agudos e circunflexos? Ainda assim, eu tinha uma missão: chegar no meu albergue. Fui tranquila para a porta da estação de trem, já que uma amiga minha havia me avisado, que teriam uns caras na frente, esperando turistas, para ajudar a encontrar os hotéis e albergues; se bem que, quem está em hotel, normalmente tem um motorista bilíngue aguardando na entrada, né querido? Pois então eu cheguei na porta, com aquela cara de: “oi! Quem quer me ajudar?”, mas ninguém veio. Então eu tive que me virar. Estava chovendo, mas ainda assim a cidade não parecia nem um pouco triste. O cheiro da cidade era bom (sem piadas), o clima era de carnaval e era gostosa a sensação de estar lá. Lá fui eu pedir informação, em um guichê. Problema: eu só pensava em francês e em português. Eu desaprendi a falar inglês. Puta merda! Tive que pensar durante um minuto o que falaria e, cheia de dificuldade, com a língua presa, perguntei como eu fazia para chegar no hostel Cosmos, apontando para a rua no mapa, que naturalmente eu não sabia pronunciar, chamada: Nieuwe nieuwstraat. O rapaz me explicou direitinho, disse que eu poderia ir andando, porque era perto, ou pegar um bonde daqueles lá. Eu falei que não tinha problema, eu ia andando mesmo. No final, quando já estava linda a comunicação, eu não consegui terminar bonitinho e acabei soltando um “d’accord.. d’accord. Merci!”. Arghh! Aí eu até engasguei tentando me lembrar como que agradecia em inglês. Pois é, eu disse que era grave. Até que saiu um “thanks” muito forçado e podre. Mas tudo bem. Ça se passe.
Cheguei no hostel facilmente, fiz o check-in, paguei na hora e em dinheiro, pelas três noites. Junto com o depósito de 10% que eu fiz antes, mais as taxas do hostel, eu paguei uns €145 euros pelas três noites. Isso é caro! Primeiro, porque Amsterdam é caro pra ficar, segundo, porque verão é a altíssima temporada, terceiro, porque eu não consegui pegar o maior quarto, com mais camas, que tem o preço menor, porque eu reservei tarde, com 25 dias de antecedência. Fui recebida por um rapaz muito simpático, chamado Yessin (o qual eu só gravei o nome porque eu pensei “YES” é “sim” em inglês e “SIM” é “sim” em português, então é só juntar), que tinha muita paciência com o meu inglês pífio e me explicou tudo direitinho. O hostel é muito bom, limpo, tem uma estrutura legal, o único defeito é a sua escada. Meu amigo, quando eu cheguei e vi aquela escada, eu jurei que ia cair no primeiro dia, de tão estreita e íngreme que ela era, mas sarava que deu tudo certo e eu não caí, pelo menos não que eu me lembre. Quanto a minha sorte incomparável, inconfundível, única, especial e alegre, lá vem... Fiquei em um quarto com 9 camas, onde só tinham homens. Só fiquei sozinha na primeira noite, pois na segunda o meu amigo William chegou. Aí vem a parte da sorte: sempre tem um roncador no quarto, adivinha onde ele ficou? DO MEU LADINHO. Dormi três noites ao lado de um demônio que roncava como um trovão. Só foi possível dormir com o Ipod no volume máximo, e eu acordava em média 5 vezes por noite, quando acabavam as músicas, e eu tinha que escolher um novo gênero. Escutei do samba ao reggae, do jazz à MPB, do soul à música italiana do começo do século passado, da trilha sonora de Finding Neverland à Amy Winehouse. Sobrevivi, mas estava prestes a dar uma facada no sujeito ao meu lado.
Durante o dia, aproveitei ao extremo. Curti de todas as maneiras tudo que a cidade me oferecia. Fiz tanto os passeios culturais , quanto os doidões dos maravilhosos Coffees Shops. Eu e o William gargalhávamos o dia inteiro, que delícia! Atravessamos aqueles canais a pé, de bicicleta e de pedalinho. A cidade estava aos nossos pés. Fazíamos o circuito do jeito que nos convinha, não era necessário seguir uma ordem obrigatória. Era a liberdade. Estávamos indo para um lugar, mas no meio do caminho queríamos fazer outra coisa, então mudávamos de direção e fazíamos o que queríamos. A disponibilidade de horários dos atrativos culturais facilitava esse tipo de turismo. Tanto o Museu Van Gogh (€14), quando a casa de Anne Frank (€8,50), fechavam tarde, por volta das 22h. Esses preços são fixos para adultos, lá não tem desconto para estudante, somente para crianças de até 10 anos. Fomos à tão famosa Red Light, com as putas nas vitrines, onde eu mori de rir. “Cissa, vamos parar num bar?” dizia o meu amigo e eu respondia “calma! Eu quero andar mais...”; “Você quer ficar vendo, né?”.. Gente, é muito engraçado! Tem umas que ficam com uma cara mal humorada, tipo: “Tô aqui trabalhando e esses turistas babacas ficam tirando com a minha cara”, outras ficam rindo, vendendo o produto delas, chamando clientes da porta... Adorei. Quanto à parte gastronômica, que obviamente não poderia ficar de fora, me empanturrei dos melhores biscoitos do mundo: STROOPWAFELS. Conheci essa maravilha sobrenatural com a minha amiga Larissa, holandesa, em Buenos Aires. É um biscoito do final do século XVII, cuja tradução significa “waffle com calda”. A unidade consiste em dois discos de walffle, unidos por uma calda de açúcar, açúcar mascavo, manteiga e canela. Ele é tão famoso, que tem em todos os lugares, inclusive em supermercados, os industrializados. No entanto, estando na terrinha, eu não poderia comer nenhum que não fosse artesanal, comprado quentinho na padaria mais próxima. Cheguei a salivar agora, escrevendo... Para compartilhar com quem tiver interesse, estou levando alguns pacotinhos pro Brasil. Se a gente dividir, dá pra bastante gente provar. Além dos biscoitos, a cidade é um convite a engordar. Em todas as ruas, além das padarias com os quitutes deliciosos nas vitrines, tem muitos e muitos quiosques com besteiras instantâneas e deliciosas. Amsterdam inteira tem cara de “larica”. Batata frita que vem no cone, pra colocar molhos em cima, Wok do Walk, que é um fast food de comida tailandesa, delicioso, sanduíches de tudo quanto é jeito, que vão de €3,50 a uns €10. Além de dezenas de restaurantes argentinos, que vendiam uma carne espetacular, digna de América do Sul, onde eu pude matar as saudades do sangue das vaquinhas. Um prato saía por volta de €15. Alias, tarde, mas não esquecido, no primeiro dia, quando eu cheguei esfomeada, comi num restaurante argentino, onde me ofereceram um emprego. Um dos donos do restaurante, depois de me dar desconto para voltar e um chopp de graça, me perguntou se eu não queria trabalhar lá. Olha só isso! Por fim, peguei o dia do orgulho gay na cidade, que foi no sábado dia 6 de agosto. A cidade estava absolutamente lotada e o clima era delicioso. Vários desfiles nos canais, competições de caiaque... A cidade inteira incorporou o espírito gay e vestiu a camisa. As padarias e lojas estavam decoradas com balões cor de rosa, os trabalhadores estavam com camisas apoiando o movimento. Todo mundo respeitando todo mundo, muito legal! Liberdade! O único perrengue que eu passei, foi um dia que eu me perdi de bicicleta, que eu cheguei a ficar nervosa. Eu não estava com o meu amigo, mas tinha combinado de me encontrar com ele numa determinada hora. Agora, cadê que eu conseguia chegar? Depois de rodar, rodar, rodar, passar quinhentos canais, quando eu me dei conta, estava no meio da passeata do orgulho gay. Então eu parei, com a minha bicicletinha amarela, no meio daquela multidão, abri o meu mapa, com a cara de “onde eu tô?”, até que uma santa alma veio me ajudar. Um coroa, soltinho no sapateado, me mostrou que eu estava MUITO longe, e que precisava ir em uma determinada direção. Cadê que eu acertei? Quando eu vi, estava em um bairro chinês. Aí eu pensei “agora fudeu de vez! Se eu já não entendia as plaquinhas de rua em holandês, agora, com esses símbolos horrorosos em chinês, que eu não vou entender nada mesmo”. Eu já estava ficando de mau humor, porque eu não conseguia chegar em lugar nenhum. Todo mundo que eu parava na rua, eu abria o mapa e perguntava: “onde nós estamos?” Finalmente, eu cheguei ao meu destino. Que sufoco! Mas tive a certeza de que 4 dias é muito pouco para desfrutar aquele lugar espetacular.
Durante o dia, aproveitei ao extremo. Curti de todas as maneiras tudo que a cidade me oferecia. Fiz tanto os passeios culturais , quanto os doidões dos maravilhosos Coffees Shops. Eu e o William gargalhávamos o dia inteiro, que delícia! Atravessamos aqueles canais a pé, de bicicleta e de pedalinho. A cidade estava aos nossos pés. Fazíamos o circuito do jeito que nos convinha, não era necessário seguir uma ordem obrigatória. Era a liberdade. Estávamos indo para um lugar, mas no meio do caminho queríamos fazer outra coisa, então mudávamos de direção e fazíamos o que queríamos. A disponibilidade de horários dos atrativos culturais facilitava esse tipo de turismo. Tanto o Museu Van Gogh (€14), quando a casa de Anne Frank (€8,50), fechavam tarde, por volta das 22h. Esses preços são fixos para adultos, lá não tem desconto para estudante, somente para crianças de até 10 anos. Fomos à tão famosa Red Light, com as putas nas vitrines, onde eu mori de rir. “Cissa, vamos parar num bar?” dizia o meu amigo e eu respondia “calma! Eu quero andar mais...”; “Você quer ficar vendo, né?”.. Gente, é muito engraçado! Tem umas que ficam com uma cara mal humorada, tipo: “Tô aqui trabalhando e esses turistas babacas ficam tirando com a minha cara”, outras ficam rindo, vendendo o produto delas, chamando clientes da porta... Adorei. Quanto à parte gastronômica, que obviamente não poderia ficar de fora, me empanturrei dos melhores biscoitos do mundo: STROOPWAFELS. Conheci essa maravilha sobrenatural com a minha amiga Larissa, holandesa, em Buenos Aires. É um biscoito do final do século XVII, cuja tradução significa “waffle com calda”. A unidade consiste em dois discos de walffle, unidos por uma calda de açúcar, açúcar mascavo, manteiga e canela. Ele é tão famoso, que tem em todos os lugares, inclusive em supermercados, os industrializados. No entanto, estando na terrinha, eu não poderia comer nenhum que não fosse artesanal, comprado quentinho na padaria mais próxima. Cheguei a salivar agora, escrevendo... Para compartilhar com quem tiver interesse, estou levando alguns pacotinhos pro Brasil. Se a gente dividir, dá pra bastante gente provar. Além dos biscoitos, a cidade é um convite a engordar. Em todas as ruas, além das padarias com os quitutes deliciosos nas vitrines, tem muitos e muitos quiosques com besteiras instantâneas e deliciosas. Amsterdam inteira tem cara de “larica”. Batata frita que vem no cone, pra colocar molhos em cima, Wok do Walk, que é um fast food de comida tailandesa, delicioso, sanduíches de tudo quanto é jeito, que vão de €3,50 a uns €10. Além de dezenas de restaurantes argentinos, que vendiam uma carne espetacular, digna de América do Sul, onde eu pude matar as saudades do sangue das vaquinhas. Um prato saía por volta de €15. Alias, tarde, mas não esquecido, no primeiro dia, quando eu cheguei esfomeada, comi num restaurante argentino, onde me ofereceram um emprego. Um dos donos do restaurante, depois de me dar desconto para voltar e um chopp de graça, me perguntou se eu não queria trabalhar lá. Olha só isso! Por fim, peguei o dia do orgulho gay na cidade, que foi no sábado dia 6 de agosto. A cidade estava absolutamente lotada e o clima era delicioso. Vários desfiles nos canais, competições de caiaque... A cidade inteira incorporou o espírito gay e vestiu a camisa. As padarias e lojas estavam decoradas com balões cor de rosa, os trabalhadores estavam com camisas apoiando o movimento. Todo mundo respeitando todo mundo, muito legal! Liberdade! O único perrengue que eu passei, foi um dia que eu me perdi de bicicleta, que eu cheguei a ficar nervosa. Eu não estava com o meu amigo, mas tinha combinado de me encontrar com ele numa determinada hora. Agora, cadê que eu conseguia chegar? Depois de rodar, rodar, rodar, passar quinhentos canais, quando eu me dei conta, estava no meio da passeata do orgulho gay. Então eu parei, com a minha bicicletinha amarela, no meio daquela multidão, abri o meu mapa, com a cara de “onde eu tô?”, até que uma santa alma veio me ajudar. Um coroa, soltinho no sapateado, me mostrou que eu estava MUITO longe, e que precisava ir em uma determinada direção. Cadê que eu acertei? Quando eu vi, estava em um bairro chinês. Aí eu pensei “agora fudeu de vez! Se eu já não entendia as plaquinhas de rua em holandês, agora, com esses símbolos horrorosos em chinês, que eu não vou entender nada mesmo”. Eu já estava ficando de mau humor, porque eu não conseguia chegar em lugar nenhum. Todo mundo que eu parava na rua, eu abria o mapa e perguntava: “onde nós estamos?” Finalmente, eu cheguei ao meu destino. Que sufoco! Mas tive a certeza de que 4 dias é muito pouco para desfrutar aquele lugar espetacular.
Voltando para Paris aproveitei a cidade de todas as maneiras, como uma turista mongol tirando quinhentas fotos na Torre Eiffel e fazendo passeio de barco no rio Sena, como uma turista bem informada, fazendo compras nos lugares baratos, conhecidos e desconhecidos, como uma turista alternativa, passeando em parques e em castelos distantes e, por fim, como uma parisiense, encontrando conhecidos na rua, por acaso, saindo com franceses e fazendo pique-nique com os amigos.
Das atividades culturais, fui ao Musée du Moyan Âge (Museu da Idade Média), à Maison de Balzac, casa do escritor Honoré de Balzac e ao Musée de Montmartre. O primeiro eu não gostei muito não. A intenção do museu de representar o clima da Idade das Trevas é interessante; o mesmo é escuro, quente, mas eu fiquei angustiada. Não prendia a minha atenção, fiquei incomodada, com calor, nem fiquei muito tempo. Só achei legal a parte dos vitrais e a das espadas. Tinha uma pequena sala com uns vitrais recuperados de igrejas do século XI, XII... Lindos demais! Quanto às espadas, tem praticamente um andar inteiro com a história da espada, o que ela representava para um cavaleiro, os modelos de tudo quanto é jeito, inclusive uma réplica de uma da época, que os visitantes podem manusear. Ah, para quem é fã de Notre-Dame, também tem uma sala enorme só com estátuas originais da catedral, que foram substituídas durante a reforma. O segundo, eu achei interessante, mas pode ser mais ainda para quem leu os livros do Balzac, que não é o meu caso. A visita é pequenininha e pelo pouco que eu vi, quando for pegar um livro dele pra ler, não começarei pela obra prima “A Comédia Humana”, mas sim por um chamado “Cartas à Madame Hanska”, que chamou mais a minha atenção. O terceiro, foi o que eu mais amei. Bem, já é sabido que pra mim nunca é demais ir à Montmartre. Apesar de insuportavelmente lotado de turistas, SEMPRE, ainda mais no verão, este continua sendo o meu bairro preferido de Paris. Desde o ano passado tinha anotado para ir a este museu, mas somente agora eu consegui. Logo de cara li uma frase que eu concordei e adorei: “Tem mais de Montmartre em Paris, que de Paris em Montmartre”. Paris não é Paris sem Montmartre e como eu já disse uma vez, em Montmartre, é possível se sentir fora de Paris, como em uma cidadezinha do interior da França. O museu conta a história do bairro, a sua importância na evolução da história de Paris, como a participação ativa dos seus moradores na Comuna de Paris de 1871, e quem já passou por lá, como “montmartrois” e “montmartroiseulles”, Salvador Dalí, Charles Trenet, Edith Piaf, Pablo Picasso, Charles Aznavour, Amadeo Modigliani, Pierre-Auguste Renoir... Inclusive, existe uma maquete imensa, mostrando onde cada um morava, assim como os monumentos e os cabarés mais conhecidos. Foi deste modo, que eu descobri o famoso mistério do Chat Noir. Quem já veio à Paris, com certeza já percebeu que em todos os lugares tem ímã de geladeira, caneca, copinho, cartão postal, camisa, chaveiro, abridor de garrafa, espelho de bolsa, carteira, brinco, pingente e o diabo, com a figura de um gato preto em um fundo amarelo. Voilà le Chat Noir. Théophile Alexandre Steinlen (1859-1923) produziu La Tournée du Chat Noir, que era o nome de um Cabaret muito famoso. A turnê era constituída por um festival, com várias apresentações. O negócio deu tão certo que virou revista e os cartazes para a sua divulgação foram produzidos com a ajuda de Toulouse-Lautrec, o mesmo que divulgava o Moulin Rouge, o cabaret mais famoso de Paris (e do mundo?). É um museu pequenininho, de visita rápida, e o melhor: sem muito turista. O público era majoritariamente francês e o pessoal que trabalhava lá, uma simpatia. O negócio era tão pequeno e acolhedor, que no meio da exposição tinha um papel com um questionário, junto com umas canetas soltas, para dizer o que estava achando da coleção do museu, dos funcionários, como que descobriu o mesmo... Bem legal! Outra coisa genial que eu esqueci de falar, por aqui tem muito cartão postal com aqueles panfletos antigos, de show, de cabaret, de exposições e coisas referentes à arte. Pois então, o original de muitos está neste museu. Vários desses cartões bonitos, coloridos e antigos, que vemos na rua, que gostamos, mas não sabemos o porquê da sua existência, estão em no museu, com a sua devida explicação. Vale à pena! Eu amei.
Quanto as compras, existem três lugares importantes: a farmácia de Saint-Germain, o brechó do Marais e o shopping de Place d’Italy. Para comprar produtos para o corpo, como demaquilante, filtro solar, l’eau thermale, hidratantes, xampu, condicionador, dentre outros das melhores marcas, como Vichy, La Roche-Posay, Roc, Avène, assim como outras, com os menores preços, eu indico a farmácia que fica na rue du Four, com rue Bonaparte em Saint-Germain-des-Prés, próximo à estação de metrô de Saint-Germain-des-Prés, na linha 4 do metrô. O preço é sempre mais em conta, mas tem uma coisa: tem que ir com paciência e bom humor, porque a loja está sempre lotada de mulheres ensandecidas por compras. As pessoas esbarram o tempo inteiro em você, os vendedores são antipáticos, faz calor e é cansativo, mas pra quem vai comprar bastante coisa, é uma economia. A loja tem Tax Free, que faz com que o cliente receba de volta, no aeroporto, o dinheiro que seria do imposto. Entretanto, ele é alto, é preciso gastar mais que €170, eu acho, para conseguir alguma porcentagem de volta, o que não foi o meu caso.
O brechó, eu não descobri sozinha, eu segui a dica da Danuza Leão, no livro “Fazendo as Malas”. Ele fica no Marais, na rue des Rosiers, próximo à estação do metrô de Saint-Paul, na linha 1. A rua é pequena, então é fácil de achar. Em cima dele, tem uma plaquinha escrita “Coiffeur” e mais nada. A faixa de preço das coisas é de €5, e eu achei algumas coisas legais, tem que ter paciência para procurar. Nesse lugar aconteceu uma coisa engraçada. A loja só tinha gringa, mas nenhum latino, só eu quietinha mexendo nas minhas coisas, sem falar com ninguém. A maioria era americana, porque eu fiquei prestando atenção, quando elas conversavam com o dono da loja. O cara era um fanfarrão, que ficou dando mole pras mulheres, chamando pra sair junto no mesmo dia, num bar famoso não sei aonde. Assim que elas saíram da loja, eu o peguei no flagra. O mesmo, achando que só tinha gringa na loja, que não sabia falar francês, pegou o telefone e ligou pro amigo dele. Nem se preocupou em falar baixo, já que ninguém falava francês, né... Pois é, escutei a conversa inteira. Era mais ou menos assim: “Oi fulano. Tudo bem? Então, arrumei a boa pra gente hoje! ... É umas americanas bonitas ... Não, não... Conheci aqui na loja ... É, têm várias ... Hora tal ... Não sei aonde”. Eu estava me segurando para não rir, e não mostrar que eu estava entendendo tudo. Fui experimentar um vestido, e quando eu saí, para olhar no espelho ele começou “ficou perfeito, que não sei o que”, pensei logo “sai daqui, seu velho tarado!” Eu hein! Paguei correndo a fortuna de €10 por um casaco e uma blusa e fui embora da loja. No caminho do metrô, comecei a reparar que tinha muita coisa judaica na rua. Uma sinagoga, padaria com o nome de “Diáspora”, lojas com a estrela de Davi, aquele candelabro... Pensei “gente, essa rua é de judeu, só pode.” Foi então que eu confirmei o meu pensamento com uma plaquinha triste, na porta de uma casa, que homenageava uma família enorme, que foi levada pelos nazistas na Segunda Guerra. É, ali era uma região de judeus mesmo. Morrendo de fome, eu parei em um restaurante israelense e quase morri de tanto prazer ao comer um sanduíche de falafel, com shwarma. O falafel é um prato judaico vegetariano, que eu não sei do que é feito. São umas bolinhas com uns negócios verdes dentro, super temperados, sensacionais. O shwarma é parecido com o kebab, mas eu não sei qual é a diferença. Também é composto por aquela carne pendurada, que nem um churrasco grego, que é cortada fininha com uma lâmina. No sanduíche vem vários molhos e legumes, a escolha do cliente. Eu peguei com homus bitahine, um molho de pimenta, repolho, repolho roxo, cebola e não lembro mais o que. MARAVILHOSO. Elogiei dez vezes o dono da loja no final. Não sei se a minha fome que deixou a comida boa desse jeito, ou se ela era realmente magnífica. Paguei para comer lá, com refrigerante, uns €10. Assim como em todos os lugares de Montmartre, comprar o sanduíche para levar sai mais barato que comer no restaurante. No entanto, eu ainda não virei completamente uma francesa para comer andando, eu gosto de sentar pra comer.
O terceiro lugar, foi o shopping na Place d’Italy, linhas 5, 6 e 7 do metrô, que a minha amiga Larissa, me informou. Trata-se de um shopping na saída da estação do metrô, que é bastante vazio, parece que é lavagem de dinheiro. Na entrada tem umas lojas mais caras, mas lá dentro, é possível encontrar umas lojas muito baratas. Todas tem a seção “promoção, fim de estoque, etc” com peças entre €5 e €20. É legal pra comprar roupas diferentes e sair do circuito Zara, Promod e H&M da Champs-Elysées, sempre lotadas de turistas, vendedores impacientes, e todo o ônus de loja lotada.
Em relação aos programas turísticos básicos fui até a famosa patisserie Ladurée na Champs-Elysées provar o tal “macarrons”. A loja é conhecida por ter os melhores desses biscoitinhos. Pois eu vos digo: detestei. Além de serem caros, pra mim são doces demais. Não troco nada por sorvetes Amorino, naturais, sem corantes artificiais, nem conservantes. No mesmo lugar, dei um rolé na Louis Vuitton e comprovei que muita gente não tem merda no cú pra cagar, mas junta a alma para comprar uma bolsa e ostentar.
Quando fui à Montmarte, fui na brasserie da Amelie Poulain. Entrei pra tirar foto, mas não tinha nada demais. Sem dinheiro, nem tomar uma água eu pude. Foi difícil chegar lá, já que eu estava sem o meu mapa e tive que perguntar na rua. Um cara que trabalhava numa lojinha, pediu para que eu o esperasse, que ele ia me mostrar o caminho. O que eu não sabia era que ele ia comigo. Minha nossa, que medo! No caminho, obviamente, foi puxando assunto, perguntando de onde eu era, o que estava fazendo, por que falava bem francês, etc. Eu mal respondendo, estava super ligada em todos os lugares, pronta pra correr, gritar, ou qualquer coisa do tipo (acho que sou um pouco desesperada). No final, o cara realmente me mostrou o caminho certo, e disse que tinha vindo comigo, porque a loja que ele trabalhava era no caminho e não aquela em que ele estava. Ainda soltou uma gracinha, falando pra eu passar lá depois. Arram, Cláudia, senta lá.
Quando fui à Montmarte, fui na brasserie da Amelie Poulain. Entrei pra tirar foto, mas não tinha nada demais. Sem dinheiro, nem tomar uma água eu pude. Foi difícil chegar lá, já que eu estava sem o meu mapa e tive que perguntar na rua. Um cara que trabalhava numa lojinha, pediu para que eu o esperasse, que ele ia me mostrar o caminho. O que eu não sabia era que ele ia comigo. Minha nossa, que medo! No caminho, obviamente, foi puxando assunto, perguntando de onde eu era, o que estava fazendo, por que falava bem francês, etc. Eu mal respondendo, estava super ligada em todos os lugares, pronta pra correr, gritar, ou qualquer coisa do tipo (acho que sou um pouco desesperada). No final, o cara realmente me mostrou o caminho certo, e disse que tinha vindo comigo, porque a loja que ele trabalhava era no caminho e não aquela em que ele estava. Ainda soltou uma gracinha, falando pra eu passar lá depois. Arram, Cláudia, senta lá.
Na parte de que eu estou praticamente uma francesa, fui à um cinema ao ar livre, de graça, no Parc de La Villete, estação de Porte de Pantin, linha 5 do metrô. Não fiquei até o final, porque o filme só começava quando anotecia, por volta de 22h, e ficava tarde para voltar pra casa, no meio da semana.
Além disso, andei fazendo um pique-nique atrás do outro, cada dia em um lugar. Primeiro, na Champs de Mars com a Larissa, de Niterói, e a Debbie de Cingapura. Antes de ir pra lá, passei em uma boulangerie, comprei uma baguete recém saída do forno, uns pacotinhos de manteiga e uns croissants. Eis que cai uma tempestade e eu fico presa na padaria, abraçada com aquele pão quentinho. O pior é que eu estava morrendo de fome e não podia comer, pois tinha que esperar as meninas. Assim que a chuva passou, fui correndo encontrar elas. Então, regadas a vinho e a champagne, nos deliciamos ao ver o entardecer e a Torre acender.
Também fizemos na beira do Sena, perto de Notre-Dame.
No meu último dia de aula, fui com outros amigos, umas russas, uns espanhóis e uma italiana, fazer pique-nique no Jardin de Luxembourg. Mais uma vez nos deliciamos com vinho, pães, biscoitos, frios, gargalhadas e fotografias.
A única coisa que não estava legal era os pombos. Que bicho insuportável. Palomas de mierda. Les pigeons insuportables. E o pior é que as russas não conseguiam entender porque eu, a espanhola e a italiana odiávamos tanto os pombos. Elas falavam “mas eles são pássaros, assim como os outros, são bonitos”. Então eu replicava: “mas são podres, imundos, ratos com asas, que transmitem doenças”. Aí uma queria dar comida pro pombo, eu queria chutar todos eles... Que bicho abusado! No Brasil, quando a gente mexe a perna eles voam, aqui, eles são tão ordinários, que só chegam um pouquinho pro lado e voltam. Eu, quando chutava eles, chegava a encostar nas asas. Tinha vez que quase chutava a cabeça deles, de tão perto. O jardim era cheio de pena. Uma nojeira! Alias, eu estou ficando um pouco neurótica com esse negócio de sujeira. Estou pensando em abrir um curso de higiene e bem estar aqui na França, no qual o tema da primeira aula será: desodorante e levar as mãos. A segunda: tomar banho é legal. A terceira: diga não aos pombos. Se alguém tiver sugestão para o tema das próximas aulas, mande-me por e-mail.
Saí de Paris pela segunda vez para ir ao Château de Fontainebleu, à mais ou menos 68km da cidade. Existem uns pacotes em agências de viagem, que cobram €140 por pessoa para ir até lá. Digam NÃO! Furada total! O castelo é fantástico, mas o passeio pode ser feito por um preço muito mais barato. Tive que pegar três conduções: O metrô, que eu passo o meu Carte Navigo, mas que a passagem custa €1,70, até a estação de Gare de Lyon, um trem, de €9,40 ida e €8,40 volta, até a cidade de Montereau, e um ônibus de €1,60 até Fontainebleu. Então, só para ir e voltar €24,40 (€1,70 + €9,40 + €1,60 ida | €1,60 + €8,40 + €1,70 volta). Eu não paguei para entrar, porque tinha a carteirinha da escola da França, mas o preço inteiro é €10. O castelo é muito bonito, assim como o jardim. Ainda assim, prefiro o jardim de Versailles e o Bois de Vincennes, mas é impagável andar no castelo sem aquele tumulto insuportável de turistas em Versailles. É bem mais vazio e agradável. Fui com a Larissa e nos divertimos bastante. É um passeio para um dia inteiro. Depois de visitar o castelo, andamos de barco em um laguinho do jardim, comemos um sanduíche maravilhoso no Salão de Chá do Castelo, com as mesinhas no terraço, no maior vidão. Paguei €11,50 por uma baguette na chapa, com manteiga, presunto de Parma e um queijo que eu não sei o nome, refrigerante e um muffin. Um dia super agradável.
Além disso, andei fazendo um pique-nique atrás do outro, cada dia em um lugar. Primeiro, na Champs de Mars com a Larissa, de Niterói, e a Debbie de Cingapura. Antes de ir pra lá, passei em uma boulangerie, comprei uma baguete recém saída do forno, uns pacotinhos de manteiga e uns croissants. Eis que cai uma tempestade e eu fico presa na padaria, abraçada com aquele pão quentinho. O pior é que eu estava morrendo de fome e não podia comer, pois tinha que esperar as meninas. Assim que a chuva passou, fui correndo encontrar elas. Então, regadas a vinho e a champagne, nos deliciamos ao ver o entardecer e a Torre acender.
Também fizemos na beira do Sena, perto de Notre-Dame.
No meu último dia de aula, fui com outros amigos, umas russas, uns espanhóis e uma italiana, fazer pique-nique no Jardin de Luxembourg. Mais uma vez nos deliciamos com vinho, pães, biscoitos, frios, gargalhadas e fotografias.
A única coisa que não estava legal era os pombos. Que bicho insuportável. Palomas de mierda. Les pigeons insuportables. E o pior é que as russas não conseguiam entender porque eu, a espanhola e a italiana odiávamos tanto os pombos. Elas falavam “mas eles são pássaros, assim como os outros, são bonitos”. Então eu replicava: “mas são podres, imundos, ratos com asas, que transmitem doenças”. Aí uma queria dar comida pro pombo, eu queria chutar todos eles... Que bicho abusado! No Brasil, quando a gente mexe a perna eles voam, aqui, eles são tão ordinários, que só chegam um pouquinho pro lado e voltam. Eu, quando chutava eles, chegava a encostar nas asas. Tinha vez que quase chutava a cabeça deles, de tão perto. O jardim era cheio de pena. Uma nojeira! Alias, eu estou ficando um pouco neurótica com esse negócio de sujeira. Estou pensando em abrir um curso de higiene e bem estar aqui na França, no qual o tema da primeira aula será: desodorante e levar as mãos. A segunda: tomar banho é legal. A terceira: diga não aos pombos. Se alguém tiver sugestão para o tema das próximas aulas, mande-me por e-mail.
Saí de Paris pela segunda vez para ir ao Château de Fontainebleu, à mais ou menos 68km da cidade. Existem uns pacotes em agências de viagem, que cobram €140 por pessoa para ir até lá. Digam NÃO! Furada total! O castelo é fantástico, mas o passeio pode ser feito por um preço muito mais barato. Tive que pegar três conduções: O metrô, que eu passo o meu Carte Navigo, mas que a passagem custa €1,70, até a estação de Gare de Lyon, um trem, de €9,40 ida e €8,40 volta, até a cidade de Montereau, e um ônibus de €1,60 até Fontainebleu. Então, só para ir e voltar €24,40 (€1,70 + €9,40 + €1,60 ida | €1,60 + €8,40 + €1,70 volta). Eu não paguei para entrar, porque tinha a carteirinha da escola da França, mas o preço inteiro é €10. O castelo é muito bonito, assim como o jardim. Ainda assim, prefiro o jardim de Versailles e o Bois de Vincennes, mas é impagável andar no castelo sem aquele tumulto insuportável de turistas em Versailles. É bem mais vazio e agradável. Fui com a Larissa e nos divertimos bastante. É um passeio para um dia inteiro. Depois de visitar o castelo, andamos de barco em um laguinho do jardim, comemos um sanduíche maravilhoso no Salão de Chá do Castelo, com as mesinhas no terraço, no maior vidão. Paguei €11,50 por uma baguette na chapa, com manteiga, presunto de Parma e um queijo que eu não sei o nome, refrigerante e um muffin. Um dia super agradável.
Por fim, a triste e dolorosa despedida. Antes de eu ir para Amsterdam, já me despedi da minha amiga Luíza, minha companheira de quarto, linda e flor que foi ótima todos os dias. Depois, fiquei triste, triste, na minha. Quando a gente acha que está melhor, que o curso engrenou de vez, que está falando pelos cotovelos, é hora de ir embora. Sempre assim! Tirei foto com as minhas turmas da manhã e do après-midi, junto com os professores, recebi o meu diploma, completei a ficha de “fin de séjour” com os devidos elogios e reclamações, entreguei em mãos ao meu diretor, à quem eu agradeci bastante e fui embora. Nós brasileiros sempre tentando passar o calor dos abraços pros europeus frios, ensinando o significado da palavra saudade e trocando e-mails e Facebook. Mais uma vez, já tenho contatos para visitar em países distantes. Aprendi palavras em russo, costumes coreanos, sinais espanhóis e superstições vietnamitas. E posso dizer, mais uma vez que valeu à pena.
Pai, obrigada por investir em mim!
Agora chega de escrever, que vou aproveitar, ou pelo menos tentar fazer alguma coisa, no meu último dia em Paris. Hoje é feriado católico, da Assomption de la Vierge Marie, e está tudo fechado.
Novamente, não posso deixar de citar músicas nessa despedida (ai essa tal de Cecília com a música...)
Deixo Paris com Edith Piaf:
“Non, rien de rien, non, je ne regrette rien…”
(Não, nada de nada, não, eu não me arrependo de nada...)
E entro no Brasil com Noel Rosa:
“(...)Cidade de sonho e grandeza
Que guarda riqueza
Na terra e no mar
Cidade do céu sempre azulado,
Teu Sol é namorado
Da noite de luar
Cidade padrão de beleza,
Foi a natureza
Quem te protegeu
Cidade de amores sem pecado,
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu
Cidade notável,
Inimitável,
Maior e mais bela que outra qualquer.
Cidade sensível,
Irresistível,
Cidade do amor, cidade mulher. ”
Inimitável,
Maior e mais bela que outra qualquer.
Cidade sensível,
Irresistível,
Cidade do amor, cidade mulher. ”
Paris, à la prochaine!
Rio de Janeiro, estou chegando.
Mãe, pode colocar água no feijão e instalar a cerveja no congelador.
Au revoir!
