quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Depois de dias de abandono, senta que lá vem história!

Primeiramente, devo esclarecer que o blog esteve entregue às moscas devido à minha falta de tempo, não por esquecimento, ou preguiça. Por mais que eu tente resumir todos esses dias sem notícias, já vi que essa postagem ultrapassará os padrões (já exagerados).
A partir de agora, trabalharei a minha memória, para contar sobre os ultimos dias na Argentina, a minha passagem pelo Chile e a minha entrada complicada no Peru (sem trocadilhos! Aqui foi o maior perrengue, até agora.)
Terminei o último post, falando da chegada de Bruno e Bárbara em Córdoba. Os poucos dias que eles passaram lá, não foi possível conhecer legal a cidade, visto que as coisas não funcionam no final de semana. Nenhuma loja abre no sábado ou domingo. Dá pra acreditar? Em uma noite, fizemos A NOITADA. Fomos a uma boate, que funciona no lugar de um antigo teatro. O espaço era sensacional, e o pessoal estava no clima de se divertir. Então, como já era de se imaginar, a noite foi regada a gargalhadas. Primeiro, que Bruno e Bárbara, no clima de "tô viajando, tô em Córdoba, tô na Argentina", inventaram de pedir um litro de uma bebida de cor azul celeste. Quem em sã consciência pede qualquer coisa de coloração AZUL visando comer ou beber?! Como já suspeitávamos, a bebida era uma merda! Ainda assim, os dois tentaram tomar aquilo durante um bom tempo, até que Bruno, vira e fala: "Vou jogar fora!" (com o copo ainda cheio). Eu achei aquilo genial. Pensei em como o meu espírito precisaria evoluir para eu fazer o mesmo. Se bem me conheço, me obrigaria a tomar tudo, só de raiva, por ter gastado dinheiro com uma bebida de cor azul. Masachei legal a atitude dele. Minutos depois, volta Bruno, ainda com a bebida na mão. Eu e Bárbara nos entreolhamos e ela fala: "ué?! não ia jogar fora?" Bruno responde: "Botei tequila!!" AHAHAHA! Famoso fudido, fudido e meio, não é verdade? Adorei!! Depois, um malandro começou a tocar um saxofone em cima do palco, junto com a música de noitada. Enquanto ele tocava, a galera ia a loucura. Nós, pra não ficarmos de fora, começamos a gritar, berrar, urrar pro maluco. Uma blasfémia! Nem para o Paul McCartney fizemos isso. Era só o que faltava. Sabíamos que estávamos tão ridículos, que tinha hora que a gente nem conseguia gritar, de tanto que a gente ria. Pra finalizar, o DJ inventa de colocar uma seleção "Brasil", regado a É o Tchan, Chora me liga, e por aí vai. Obviamente o espírito ridículo do "não conheço ninguém mesmo" nos invade e terminamos de acabar com a reputação dos brasileiros. No dia seguinte, fomos para a cidade de Alta Gracia, ainda na província de Córdoba, com a Paula, uma pernambucana, que conhecemos no albergue, onde Che Guevara passou a infância. Pronto, foi só ir no museu, que funciona na casa onde ele morava, que agora todas as vezes que pedimos uma cerveja, fernet, pisco sour, ou até inca kola, temos que brindar falando: "Viva la Revolución!". AHAHAHA Quem olha de fora pensa que somos "os revolucionários". Não estamos nem aí! Fomos em um restaurante, que funciona ao lado do museu, enrolar para o horário da apresentação. O dono era um argentino, casado com uma cubana, que ele conheceu quando ele morou em Cuba. Ele se empolgou quando falamos que éramos brasileiros e inventou de começar a brindar com a gente todos os presidentes da América Latina. "À Lula... Salud! À Cristina... Salud! À Evo... Hum.. Salud! À Chavez... É.. Calmai.. Tá.. Salud! À Fidel... Hum.. Peralá.. Fidel?! (Imaginem o copo, que estava no alto, voltando pra traz e pra baixo, sendo sacudido lentamente de um lado para o outro, como uma negação.) Mas.. Fidel es un dictador." PRA QUE?! Eu te pergunto, pra que esse comentário?! O cara ficou revoltado. Começou a falar que Fidel é muito bom, que nunca fez mal a ninguém, que as pessoas que foram contra ele que sofreram, mas que para que a saúde e a educação pudessem dar certo, alguns teriam que sofrer... Nem valia a pena continuar a discussão. Demos uma risadinha meio sem graça e finalizamos com um Salud!! HAHAHAHA!! Então seguimos para o museu do Che Guevara, para um assistir a uma visita guiada diferente. Na frente, estava escrito: " Hoy, à las 8h30p.m. un espetáculo de luz e sonido." Até que temos que ouvir o seguinte comentário de nada mais, nada menos, que Bruno Quaresma: "Luz e Sonido?! Quem são esses caras? São bons?" HAHAHAHA! É melhor ouvir isso que ser surdo, não é verdade?! Enfim, a apresentação de luz e som é boa, mas é cansativa. É uma pessoa lendo um texto e, conforme ela vai falando, luzes vão se acendendo e apagando. Eu, particularmente, prefiro ler a lerem pra mim, porque perco a concentração. Agora, imaginem ouvir uma pessoa lendo em espanhol? Mas tudo bem. No dia seguinte, o Raoni chegou, aos 45 do segundo tempo e fomos para San Miguel de Tucumán. Achamos a cidade bonitinha, mas não tem muita coisa pra fazer. Durante o começo da noite de um dia que ficamos por lá, eu fui a Casa de la Independência, onde foi celebrada a independência da Argentina, enquanto os meninos ficaram em casa. Eu cheguei na hora que o espetáculo de luz e sonido (sempre ele) iria começar, com as pessoas entrando correndo, quando o rapaz da portaria me informou, que a bilheteria para comprar a entrada funcionava até meia hora antes da apresentação. Aí eu fiz uma cara triste, agradeci. Ele ficou meio chateado, falou "volte amanhã, tem no mesmo horário". Então, eu falei "ah, sim" (sabendo que não voltaria, porque iríamos embora no dia seguinte). Ele insistiu e falou: "você estará aqui amanhã?", eu falei: "não..." e ele: "entra! Entra!" Que sorte! Ainda bem que eu consegui. Foi maravilhoso! Muito mais dinâmico que o da casa de Che Guevara. No final, começaram a citar todos os nomes das pessoas que participaram da luta da independência, com a luz focando em dois quadros enormes que simbolizavam uma batalha (acho que de Suipacha, a primeira que a Argentina ganhou da Espanha), com o público participando intensamente. "Viva não sei quem... Viva! Viva não sei mais quem... Viva! Viva San Martín... Viva! Viva la pátria... Viva! Viva a Argentina... Viva!" Então, começou a tocar o hino baixinho. Um ou outro começou a cantar junto, daqui a pouco, o coro aumenta, depois, já tem mais gente cantando junto. Quando eu fui me dar conta, todas as pessoas que estavam lá, exceto eu, estavam cantando o hino, quase chorando. Que isso! Que patriotismo! Até eu fiquei arrepiada. Sensacional! No dia seguinte, fomos para Salta, eleito o ponto auge da Argentina, na opinião da massa. Na rodoviária, tivemos um pequeno problema, solucionado imediatamente, devido a perspicácia de Bárbara. Na Argentina, os caras que tem a função de tirar a bagagem do chão, para colocá-la dentro do bagageiro do ônibus, costumam pedir gorjeta. Isso se torna estressante, quando percebemos que eles SÓ pedem para turista e fazem uma cara feia, quando não damos. O que aconteceu nesse dia, foi que o cara responsável por esse serviço, não nos entregou a numeração que ele colocou na nossa bagagem. Somente na parte que ficaria com o motorista, quando este, dividisse o nosso bilhete em duas partes. Bárbara percebeu, quando estávamos subindo a escada e voltamos correndo. Qual o problema nisso?! O problema é que se sumissem com a nossa mala, não teriamos o direito de reclamar, já que não teríamos como provar que tínhamos mala. Legal né? Mas deu tudo certo. Em Salta, o hostel que queríamos ficar estava lotado, acabamos ficando em um da mesma rede, dez vezes melhor, o Hostel Backpackers Suites. Ele tem a estrutura de um hotel, era 10 pesos mais caro, mas além de café da manhã, servia jantar, então economizamos um dinheiro. Logo no primeiro dia, fizemos uma noitada horrorosa, que só tocava Cumbia, só tinha gente horrível, até que lá dentro, eu encontrei um malandro que estava no nosso hostel e nos chamou para ir para outra boate. Aí sim! Encontramos o fervo de Salta. Ficamos mais três dias inteiros. Em um, passeamos pela cidade e durante um almoço, ficamos chocados com a pobreza absurda. Enquanto comíamos, muitas e muitas crianças vinham pedir comida, dinheiro, vender coisas, etc. A pior parte, foi quando acabamos de comer, tiveram duas que vieram pedir a gordura da carne que comemos. Nossa, naquela hora, meu estômago embrulhou. Não por ser gordura, mas por ser uma pessoa, esfomeada, querendo comer o resto do resto. Nossa, terrível. Nos outros dois dias, fizemos passeios para fora da cidade. Um, fomos para Cafayate, uma região ao sul, com um visual sensacional, rochas de cor alaranjado, cactus imensos, vales e quebradas de deixar qualquer um de boca aberta. Tirei foto de uns lugares, que eu só imaginava ver em fotos de internet. De noite, fomos em um Cassino, fazer uma "fézinha". No dia seguinte, fizemos um passeio que era pra ser o radical dos radicais, mas que na verdade, rimos mais do que ficamos assustados, Rafting. Eram vários botes e o nosso, infelizmente, era o mais tranquilo. O guia, que foi no nosso barco, ficou preocupado com uma criança, que ameaçava o bom andamento do grupo. O menino, por causa do peso, teve que ficar na frente do bote, local onde não dava para prender o pé direito. Então, toda hora que a gente passava por uma corredeira, parecia que o menino ia voar e o pai dele, parava de remar, o que podia virar o bote. Então o guia parava pra ficar dando esporro. Chato. Além disso, enquanto nos outros botes, o pessoal estava fazendo guerra de lama, o nosso guia, queria que todo mundo ficasse em silêncio, para não assustar os peixes, que deveríamos ver. Só que não tinha peixe nenhum! HAHAHAHAHA! "Xiiiiiu.. Mira! Los peces.. los peces..." Só que ninguém viu nada. Depois, a gente começou a lembrar de como esse cara falava as coisas, meio que sussurrando, e a gente ria sem parar. O cara era maluco, com toda a certeza. Mas o visual era bem bonito! Visitamos uma vinícula e fomos para casa. De lá, partimos para Humahuaca. Lá tivemos o primeiro choque com a altitude. Quando chegamos, passamos um perrengue sinistro. Chegamos às 2h da manhã, mas o nosso hostel só abria às 6h. Então, a ideia era dormir na rodoviária, até amanhecer. Só que o problema era que a rodoviária se resumia a uma parede com guichês. Não havia uma parte de dentro, quentinha, longe do sereno e do frio seco, que estava nos matando, do lado de fora. Não tinha como aguentar 4 horas naquela situação. Encontramos uns policiais e perguntamos à eles, onde havia outros hostels. Encontramos, então, um, onde uma senhora de cara castigada, nos atendeu com a maior má vontade do mundo, cobrando caro. Não tinhamos outra alternativa. Ficamos lá mesmo. Foi o banheiro mais imundo que encontramos até agora. A cortina do box, parecia que não era lavada desde quando foi comprada, a 57 anos. Tinha limo grudado. Um nojo. Mais do que isso, algo me incomodava muito, o ar. "Esse ar está muito ruim. É ruim de respirar. Abre a janela, tem que circular." Não tinha nada que circular. Entendi o motivo da minha falta de ar, quando, ao comprar minha água, me informaram que estávamos a 3000m de altitude. Que bom! Fizemos uma ronda pela cidade e percebemos um povo bem diferente daquele encontrado no interior da Argentina. Todo mundo igual, com cara de boliviano. Nessa região, começamos a perceber os costumes das roupas coloridas, as vestimentas das Cholas (aquelas mulheres de saia rodada, poncho, duas tranças, chapéu, bota e uma criança amarrada num pano nas costas), as oferendas aos deuses indígenas, a bandeira oficial dos povos aborígenes encontrada em todos os lugares (bandeira)...  Nesse passeio, aconteceu uma tragédia: minha câmera fotográfica quebrou. Chorei, chorei, chorei, chorei, chorei. Pra mim, Humahuaca tinha acabado.
Cansada de escutar dos meninos "isso não é um mochilão, onde estão os perrengues?", Pacha Mama (mãe terra), deusa máxima dos povos andinos, resolveu nos sacanear (principalmente ME sacanear, mais a frente vocês entenderão). Sabíamos que queríamos ir para San Pedro de Atacama, no Chile, só não sabíamos como, mas iríamos.
Nossa jornada começou no dia 13 de fevereiro, domingo, às 21h, horário oficial para a saída do nosso ônibus de Humahuaca, para Jujuy. No entanto, o ônibus atrasou e só saímos de lá às 23h. Chegamos em Jujuy, por volta de 1h. Só havia três empresas que iriam para San Pedro de Atacama; duas delas estavam abertas, mas só tinham passagem para quarta-feira. A nossa saída era a outra empresa, que só abria lá pelas 6h ou 7h da manhã. Solução? Uma noite de mendigo. Encostamos em uma bilheteria que já havia fechado e passamos a noite. O pessoal abriu o saco de dormir, eu preferi ficar sentada em cima da mala, observando a quantidade de cachorro de rua que existia naquele lugar. Cachorros folgados, por sinal. Que queriam nos tirar de onde estávamos, para poder se sentarem. Interessante né? Bem, passada esta noite, o Raoni procurou a bilheteria e descobriu que só haveria passagem para quarta-feira. Por 3 votos à 1, em vez de ficar em Jujuy até quarta, decidimos seguir em frente, com a filosofia de "uma hora a gente chega". Fomos para Purmamarca, chegando perto da fronteira com o Chile. Cidade maravilhosamente linda! Antes de viajar, li algo que dizia que Humahuaca e Purmamarca possuíam preços semelhantes, então quem quiser conhecer uma parte exótica do norte da Argentina, vá para a última, muito mais bonita. De lá, objetivávamos pegar um ônibus para o Chile, o que não existia. A solução foi pagar um carro para nos levar até a fronteira, já que ele não teria a documentação necessária para atravessá-la. Acabou que saiu mais barato, que se pegássemos ônibus. Fizemos um caminho lindo de morrer, atravessando a Cordilheira dos Andes. A câmera do Raoni pôde registrar belas paisagens, até a situação de estarmos passando no meio das nuvens, de tão alto. Mesmo mascando muita folha de coca, não sentimos diferença nenhuma. Quando chegamos aos 5000m de altitude, a cabeça de todo mundo parecia que ia explodir, a pressão no ouvido era absurda, o ar era ruim de respirar e outras coisas que Bruno apelidou de "tudo psicológico". No caminho, passamos no meio de um salar enorme, ficamos maravilhados. No meio da empolgação, demos um mole tremendo, corremos um risco, que só fomos nos dar conta depois. Pedimos para o motorista parar, para tirarmos fotos fanfarronas, com bandeira do Brasil, pulando, misturando sensações quanto ao tamanho das pessoas, devido ao terreno plano e por aí vai. A questão é que enquanto estávamos lá longe, o motorista estava dentro do carro, com todas as nossas malas e a mochila de Bruno, a qual ele viu o mesmo colocar os pesos (que tinha acabado de trocar pelos dólares que tinha). Se ele desse partida, estaríamos no meio do nada, sem mala e sem uma parte do dinheiro. Quando ele começou a olhar muito pra gente, o Raoni percebeu que poderia ter alguma maldade e falou para nos adiantarmos. Beleza. Ao chegarmos na fronteira, fomos pagar e o Raoni foi pegar o mp3 dele, que estava no carro, enquanto viajávamos. O mp3 estava lá, conectado ao som do carro, mas e o fone de ouvido? No lugar, estava um velho, com os fones arrebentados, com fios para fora. Ele disse: "esse não é o meu. Cadê o meu?" Brigamos, discutimos, ficamos putos da vida, mas não deu em nada. O cretino levou o fone. A porra de um fone de ouvido vagabundo. Dá pra acreditar? Enfim. Trocamos o dinheiro com um malandro que tava fazendo o caminho oposto ao nosso e fomos atravessar a fronteira andando. Quando chegamos no posto da polícia argentina, os hermanos riram quando dissemos que o nosso meio de transporte era a pé. Disse que não podíamos sair da Argentina andando. Bárbara e Bruno ficaram lá dentro com as malas, enquanto eu e o Raoni fomos para a rua, tentar conseguir alguma carona. Não tardou muito, conseguimos carona com dois caminhoneiros, que estavam indo para Iquique e teriam que passar por San Pedro. Fomos com eles até o posto da fronteira e quando chegamos lá, Bárbara estava prestes a fazer um barraco, porque tinha acabado de ler em uma plaquinha que a polícia estava ali para fiscalizar carros, ônibus, caminhões, motos, bicicletas e TRANSEUNTES. Ou seja, podia sim atravessar andando, os caras que estavam querendo nos sacanear. Brincadeira, né? Enfim, já tinhamos carona, saímos de lá felizes da vida. Terminamos de cruzar a cordilheira na boléia do caminhão. Sensacional. Assim que chegamos na polícia do Chile, fomos tratados com arrogância por um mal amado, que queria os detalhes do que estavamos indo fazer no Chile, etc e tal. Além disso, revistaram os nossos mochilões, procurando algum alimento, vegetal (o Chile tem uma fiscalização absurda com isso), principalmente depois do amigo Raoni falar que estava carregando uma "folinha", fazendo gestos próximos da boca, fazendo a mulher acreditar que era maconha. Puta que pariu! Tinha que ver a cara dela! Até explicarmos que a tal "folinha" era folha de coca, minha nossa... HAHAHA! Rimos muito depois. O nosso hostel em San Pedro de Atacama, ficava em uma zona árida e sem nada. Parecia aquelas cenas de filme de faroeste, só faltava uma porta de madeira, com mola nas beiradas, balançando, depois do pistoleiro ter saído de lá com o seu chapéu, um matinho no canto esquerdo da boca, uma arma em cada lado da cintura e suas botas com travas de metal atrás, caminhando para ser desafiado (nossa, que viagem!). Chegamos lá para as 18h. Valeu a pena arriscar e não perder tempo em Jujuy. Nesse dia, preferimos descansar. Descobrimos que não tinhamos duas diárias reservadas, mas apenas uma. Então no dia seguinte, estaríamos de mudança.
Fomos para o centro da cidade, o que foi sensacional. Conhecemos a verdadeira boemia de San Pedro. Várias pessoas alternativas na rua, aquele ar árido e um sol gostoso. Em poucas horas, almoçamos, transferimos as malas, ligamos para o Brasil ("alô mamãe, tá tudo bem!"), fechamos todos os passeios, um para às 16h do mesmo dia, outro para às 4h do dia seguinte e outro para às 16h deste mesmo dia. Que gás! Ficamos no Hostel International, que ficava na rua principal, no meio da bagunça. Era o melhor, mas só tinha reserva para uma noite, então, no dia seguinte, teriamos que mudar de lugar de novo. O passeio das 4 horas da tarde deste dia foi a visita às lagunas do deserto e ao salar. Na verdade, fui descobrir que o deserto inteiro é de sal, a diferença é que algumas partes tem areia, outras não. A primeira lagoa, era famosa por ser uma lagoa muito salobra. A sua quantidade de sal era 7 vezes maior que a do mar. Era possível boiar, sem fazer força. Até em pé, estávamos boiando. Ao entrarmos nela, pisamos em uns cristais de sal solidificados, semelhantes a estruturas rochosas, com água na panturrilha. Do nada, um abismo. Mergulhamos lá, e depois fomos descobrir que ali tinham apenas uns 50 metros de profundidade. Ok? A propósito, é horrível mergulhar a cabeça nessa água. Mesmo com os olhos muito fechados, entra sal e arde muito. Quando saímos da água, estavamos compeltamente brancos, com o cabelo duro. De lá, seguimos para uma outra lagoa, que parecia um poço no meio do nada. Exatamente um buraco, este, de 30 metros de profundidade. O guia me explicou, que embaixo do deserto, tem uma bacia hidrográfica enorme e que a estrutura que está em cima é de um material muito fraco, por isso, às vezes cede e forma lagoas. O legal dessa, é que era para entrar pulando. Devia ter um pouco menos que 2 metros o paredão, a água era bem menos salobra e mais fria. Eu e Bruno corremos e pulamos juntos, gritando, igual a duas crianças. Genial. Depois fomos para o salar. Lá tiramos várias fotos legais e paraíbas (claro). Quando acabou o passeio, fizemos um lanchinho, ao pôr do sol, com direito a biscoitos, suco de laranja e pisco sour. Chegamos mortos e tivemos que enfrentar o banho do deserto. No banheiro, 547 avisos: "economize água, não se esqueça que você está no deserto mais árido do planeta". Primeiro, eu e Bárbara, tomamos um banho de água gelada, que mal caía do chuveiro. Depois, descobrimos, com o canalha do Bruno, que a água quente era desligada de noite e era só pedir para ligar. Conversando com uma menina do meu quarto, eu descobri que em San Pedro eram proibidas as festas. Não era permitido abrir lugares para dançar, como pubs ou boates. Por que? Sei lá! Mas lá existiam as tais festas "Clandestinas", que aconteciam no meio do deserto. As pessoas vão para uma praça e vão passando vans que levam. Fala que é uma estrada no meio do nada, que do nada, você vira uma montanha e está rolando a festa. Foda!! Nós não podíamos ir, porque tínhamos passeio no dia seguinte de madrugada. Só o Raoni que foi, porque não ia fazer o passeio, por já ter visto algo semelhante na Bolívia. No dia seguinte, eu e Bárbara passamos mal de madrugada, devido a um macarrão de restaurante arrumadinho que comemos. Agora você vê, comemos cada porcaria nos lugares mais duvidosos do mundo e vamos passar mal com uma comida arrumadinha num restaurante legal. Eu melhorei, mas ela não. Então, fomos somente eu e Bruno para o passeio para ver os geisers. Subimos em um vulcão, até uma determinada altura, para ver a terra cuspindo enxofre e água. Foi legal, mas passamos MUITO FRIO. Éramos os mais mal agasalhados de todos que estavam no local. Passamos muito frio mesmo, horrível. Tiveram até duas meninas do nosso ônibus, que emprestaram casaco pra gente, por pena. Infelizmente, queridos rúbro-negros, tive que trair a nossa nação e vestir um casaco da Universidade Católica do Chile. Era só o que me faltava. Mas se não fosse isso, eu congelava. Quando voltamos do passeio, almoçamos e fomos para um passeio radical, o Sandboard. Todo mundo adorou! O ruim era ter que subir a duna todas as vezes, e era alta, hein!
Depois do deserto, fomos para Antofagasta, litoral do Chile. Valeu a pena conhecer, mas não indicamos. A cidade é muito cara, por ser a maior cidade mineradora do mundo, então rola muito dinheiro por lá. As praias não são tão bonitas e a noite perde para a de Iquique. Fizemos noitadas, mas nada extraordinário. O grande acontecimento da viagem foi na praia de Trocadero. Depois de dias secos e sem oxigênios no deserto, nos deleitamos com as baixas altitudes e o cheiro do mar. A água nem estava tão gelada, então estava até gostoso de ficar dentro dela. Enquanto eu estava no meio de uma conversa com Iemanjá, explicando que no dia 2 de fevereiro eu não fui ao mar, porque estava longe e tal, sinto uma mordida na perna. Sem acreditar que era uma mordida, o meu cérebro fez com que eu achasse que fosse um beliscão. Imediatamente olhei pra traz, meio que rindo, pronta para falar: "Bruno/Raoni babaca..." Sabem aquelas pessoas que te beliscam debaixo d'água para dar um susto? Então, foi o que eu pensei. Assim que eu não vi ninguém, eu senti outra vez e pude perceber que era mesmo uma mordida. Tudo ocorreu em um segundo. Bruno estava na beira da água, quando eu saí dela aos berros. "Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!" Quando eu fui ver, minhas pernas estavam marcadas em dois lugares, que logo começaram a sangrar. Ao mesmo tempo que eu tentava explicar o que aconteceu, eu limpava com um lenço de papel. Nesse momento, eu percebi na panturrilha uma ardência. Quando eu vi, ali estava saindo mais sangue que os outros lugares. Depois de limpar, percebi o formato dos dentes. Como em Antofagasta todas as praias são artificiais, isto é, não existe praia de areia, só de pedra; então a prefeitura colocou areia em três lugares, para "criar" praias, acredito ter sido mordida por uma moréia, que vive em pedra e deve ter se sentido ameaçada, por eu ter me aproximado da casa dela (chute, mas só pode ser isso, não tem por que me atacar do nada). Na praia, nego veio me falar que lá tinha muita água viva. Só podiam estar de sacanagem com a minha cara. Anos de Arraial do Cabo e Saquarema, eu sei muito bem o que é uma queimadura de água viva. Ao contrário de uma mordida, é uma queimadura, não tem dente.
De lá, partimos para Iquique, cidade que amamos e deixou muitas saudades. Um grande centro turístico, com praias lindíssimas, água geladíssima e de noitadas maravilhosas. Adoramos a cidade! Se não fosse o tempo corrido, ficaríamos lá por mais tempo. Na última noite, tive uma despedida muito desagradável da cidade. Depois da festa, voltamos para o hostel que ficamos na primeira noite, para continuar a bagunça. Os meus amigos foram embora e eu fiquei lá com o pessoal que eu tinha conhecido. Depois de um tempo, chegaram dois caras "barra pesada", que foram pra lá pra vender o tal do "diabo colombiano", pra dois meninos, que queriam. Depois, ficamos todos juntos em volta de uma mesa, conversando, quando um dos caras começou a puxar assunto comigo. Minha identidade, estava em cima da mesa, com um cartão e com uns 20000 pesos chilenos (+- 70 reais). O cara começou a mexer na minha identidade, lendo meu nome e tal, falando que "da Silva" era um nome muito comum no Brasil, que não sei o que. Pediu pra ver o papel da identidade (gente, olha como eu sou uma imbecil, burra e inocente), e eu tirei, mostrei, beleza. Depois eu guardei tudo de volta e deixei no mesmo lugar (fui uma otária, porque no Brasil, eu tenho mania de deixar as coisas em cima da mesa, porque eu só ando com gente que eu conheço -óbvio-, então eu não maldei). Não deu nem dez minutos depois, esse cara levanta, e as pessoas vão levantando aos poucos. Eu falo "Ué, todo mundo vai embora, eu vou também". Quando eu boto a mão em cima da mesa, cadê as minhas coisas? Puta merda! Fiquei muito nervosa. Comecei a tremer, falar que sumiu. Esse cara, se fez de desentendido, me perguntando o que tinha acontecido... Eu na mesma hora, subi, para chamar um menino que eu tinha feito mais amizade, que já tinha ido dormir. Quando nós descemos as escadas, o meu documento estava em cima da mesa de totó, do lado da cadeira onde eu estava, com o cartão, mas sem dinheiro. Óbvio. Bem, dos males o menor. Fiquei chateada, mas bola pra frente. No dia seguinte, fomos na Zofri, a Zona Franca de Iquique, onde eu tentei consertar a minha câmera, mas não consegui e comprei outra.
Nesse dia, começamos a nossa jornada para o Peru. Fomos para a rodoviária umas 23h, e só conseguimos passagem para Arica (cidade de fronteira) às 3h da manhã. Mais uma noite de mendigo. O pessoal dormiu no saco de dormir, e eu consegui dormir em cima da minha mala. Pegamos 5 horas de estrada, chegamos em Arica lá pelas 8h. Então, pegamos um colectivo, uma espécie de "lotada", e fomos até a fronteira. Passamos pela polícia, e pegamos outro colectivo até Tacna, cidade de fronteira do Peru. Chegamos umas 9h em um terminal de onibus internacional. Para continuarmos o nosso caminho, teriamos que ir para o que tinha ao lado, que era nacional. La, escolhemos a passagem mais barata, no horario mais adequado e compramos. Os meninos foram tomar banho, enquanto eu e Barbara ficamos sentadas, tomando uma Inca Kola, uma merda, por sinal, ate eu me dar conta que minha carteira tinha sumido. Panico! Revirei a bolsa toda com calma, ate perceber que era momento de me desesperar. Voltei nos dois ultimos dois lugares que estive, achando que pudesse ter deixado em cima de algum balcao. Procurei a seguranca, fui mal atendida, ficaram falando so o que nao ajudaria, como "atencao com os seus pertences", o que me deixava mais indignada, revoltada, triste e em cobranca comigo mesmo, ja que sei que sou cuidadosa com as minhas coisas e tenho intolerancia para admitir falhas. Somente uma santa alma me ajudou, uma moca, que me fez voltar para a sala da seguranca, para rever as fitas gravadas, que eu ja tinha visto uma parte, quando o chefe da seguranca, de ma vontade, tinha me mostrado. Com ela, eu pude ver exatamente tudo que havia acontecido. Antes de os meninos irem tomar banho, estavamos todos juntos numas cadeiras, com as malas na frente, e eu estava mexendo na mochila, enquanto os meninos estavam pegando toalha, xampu, etc. Eu so estava prestando atencao em mim, procurando ver se eu tirava a carteira da mochila em algum momento. Enquanto que o seguranca estava de olho no que estava acontecendo em volta. Ele reparou, que na fileira de cadeiras colada na nossa, tinha um casal, que nao parava de olhar para nos. Eles conversavam e olhavam, conversavam e olhavam. Nesse momento, a mulher do casal, levanta-se e cutuca Bruno. Eu lembro desse momento, porque eu olhei para ver o que ela queria. Ela estava indicando onde ficava o banheiro do terminal. "Voces querem ducha, ne? Entao, fica por ali!" Eu achei legal, ninguem perguntou nada, e a mulher foi solícita. Pois é. Nesse momento que eu olho para o lado em que Bruno esta, o meu lado direito, o homem, do meu lado esquerdo, mete a mao na minha bolsa, pega a minha carteira e eu nem me dou conta. Detalhe, a mulher estava atrás da gente no terminal internacional, Bárbara lembrou dela, ou seja, ela nos seguiu. Perdi: carteira de identidade nova e velha (o que é uma dor de cabeca para tirar outra), a carteira de identidade do Raoni (o maior problema, porque foi o documento de entrada dele no país, diferente de mim, que tinha passaporte guardado na doleira), os dois cartoes de banco (nao tenho dinheiro, nem como tirar dinheiro), carteira de estudante internacional (que ia me fazer pagar meia na trilha de machu picchu, de 300 dolares, cairia para 150), carteira de albergue (que me faz pagar preco menor nos albergues credenciados), carteira da uff (que demora 6 meses pra tirar), carteira da CASSI (tenho medicos para ir em marco e, devido a minha teimosia e incompetencia, me recuso pagar, sabendo que tenho plano), uns 150 nuevos soles (uns 100 reais), uns 20 reais (que pagariam a minha larica no aeroporto, na volta), fotografias (de valor emocional), as passagens para Arequipa minha, de Bruno e de Raoni, os bilhetes de embarque (no Peru, onibus funciona como aviao, tem que pagar uma taxa de embarque) e papeis, papeis, papeis, telefones, cartoes de todo mundo e papeis. Tinha um centro de policia dentro da rodoviaria, onde eu pude fazer o Boletim de Ocorrencia, indicando exatamente a roupa e as caracteristicas fisicas dos bandidos, devido ao filme. O problema surgiu, quando o meu onibus ja estava de partida, exatamente 12h45, e só haveria outro as 7h do outro dia. Barbara conseguiu conversar com a mulher da bilheteria, que era muito simpática, para atrasar o onibus, até concluirmos. Até o chefe da polícia pediu para ela esperar, enquanto tinha que digitar o BO. O problema era que a moca responsável pela digitacao tinha saído para almocar. Entao ele virou pra mim e falou: "voce sabe digitar?" eu disse que sim, entao a missao era minha! O problema é que eu digito rápido em teclado brasileiro, com texto em portugues. Eu nao sei o que aconteceu, se foi a adrenalina, ou a Pacha Mama, mas eu consegui digitar em uns 7 minutos um texto que eu nao estava lendo, e sim escutando, o cara ditar pra mim rápido, embolado e em espanhol. Impresso, carimbado, assinaturas nos devidos lugares, saímos correndo. O Onibus já estava de saída, eu fiz o motorista parar, entramos sem passagem, apenas com o desenrrolado da mulher do guiche e fomos em direcao a Arequipa, 7 horas de viagem. Conversando com o policial, ele disse que nao precisamos procurar a embaixada. Como o Raoni tem o papel de imigracao, e temos o BO dizendo o que aconteceu, ele nao terá problemas para sair do país. Chegamos em Arequipa umas 20h30, e felizmente encontramos onibus para Cuzco, que saia 21h. Deu tempo de comer, pagaram minha passagem e enfrentamos mais de 10 horas de estrada. No caminho, muita falta de ar. Muita muita muita. De manha cedo, chegamos na capital Inca, a 4100 metros de altitude. Perdi todas as minhas hemácias adquiridas no meio da viagem. Agora tem que recuperar tudo de novo... Enquanto isso, vamos que vamos, morrendo a cada degrau que se sobe (a cidade tem mais ladeiras que Diamantina), bebendo água e tomando chá de coca.
Amanha faremos a trilha para Machu Picchu.
Para finalizar, digo que a ausencia de acentuacao e de "cedilha" no final do texto, se deve ao fato de eu ter mudado de computador. Estava mexendo no computador do Raoni, teclado brasileiro e, como ele queria usar, tive que mudar para um computador de teclado espanhol. O tempo que se perde no transito de um para o outro, alem de me fazer perder o fio da meada, me faz perder o tesao pela escrita. Ainda assim, espero que o final tenha ficado razoável.

Até breve!



Percepções engraçadas:
- Não importa se um grupo de diferentes nacionalidades está falando em inglês à três horas, se aparecer um cachorro, cada pessoa vai falar com ele na sua língua.
- FRIENDS é o seriado mais popular do mundo, sem discussão. Genial ver uma sala inteira reunida de pessoas do mundo inteiro, vendo e rindo muito.
- Cerveja Salta funcina melhor que qualquer lactopurga. Está com prisão de ventre? Tome cerveja Salta! Tiro e queda!


Valores adquiridos:
- Nada como tomar um banho descalça.
- A água que a gente bebe é muito gostosa.
- Nunca mais vou reclamar que não tenho roupa, com um armário enorme de opções.
- Hum... Oxigênio, como é bom te respirar.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Quase uma cordobesa

Com o último post quase fazendo aniversário, resolvi escrever de novo.
Nessa última semana nao aconteceu nada muito extraordinário, mas ainda assim acho que é possível contar alguma anedota.
Bem, como disse no último post, no dia que eu cheguei no albergue de Santa Fé, conheci aquele pessoal e saímos para um bar. Provei o tal do Fernet, uma bebida de Córdoba, que agora eu nao consigo mais beber sem dar uma gargalhada, ao lembrar do Dudu e do Nícolas falando que ela tem gosto de novalgina com Coca-Cola. Convidativo, nao? Alguém se habilita? Entao, encurtei a minha estadia pela cidade, visto que lá foi o maior e único furo até agora. Gente, eu simplesmente estava em um lugar mais quente que Bangu, Benfica, Bonsucesso. Como diz um amigo meu, naquele inferno, havia ªum sol pra cada um". Além disso, a cidade é feia, tem muita miséria, é pouco arborizada, muita umidade (o que aumenta a sensaçao de calor), para durante a tarde, para a sesta, e o principal: nao tem absolutamente nada pra fazer. A única coisa que me fez escolher esse inferno de lugar, é o centro histórico, que na verdade nao tem muita coisa interessante. Além disso, o calor é tao insuportável, que nao dá vontade de sair. Por que eu vou pra rua, pra me sentir mal? Resolvi chutar o balde, e no dia 29 de janeiro, eu parti para Córdoba e aqui estou eu!
Tomei um café da manha bolado no albergue, que a Cecília, minha xará, preparou pra mim. Um balde de café, que eu achei que nao fosse dormir nunca mais. Preciso comentar o quanto eu achei fantástico, encontrar, naquele fim de mundo, um muchacho com cara de índio boliviano, vestindo a camisa do MENGAO na rodoviária? Tentei tirar foto, mas ele passou rápido por mim. Alias, falando em foto, esses dias eu tentei postar algumas fotos aqui no blog, mas como a internet é mais lenta do que eu, quando acordo, me estressei e fechei tudo. Enfim, peguei um ônibus da companhia Zenit, por 120 pesos, exatamente, 50 reais, para uma viagem de 5 horas, e fiquei abismada com tanta luxúria e quantidade de comida que eu tive direito naquele buzao. Poltronas maiores que as de aviao e serviço melhor que o da TAM. Ô maravilha! Era um ônibus de dois andares, sendo que no segundo, haviam somente 3 fileiras de cadeira, uma em dupla, e outra individual. Só nisso já é possível imaginar a largura delas, né? Estou eu relaxada, quando chega uma moça, com a roupa da companhia, falando pra caramba, apontando pra alguma coisa que tava do meu lado. Quando ela acabou de falar, eu franzi a testa e falei: "ahn?" Aí ela viu que eu era turista, e começou a falar mais devagar. Era pra tirar uma mesinha que tinha ao lado, e coloca-la na minha poltrona pra servir o almoço. Rangao! Imediatamente eu tirei a mochila do colo e deixei que ela arrumasse tudo. De bóia, veio um arroz meio cru, sem gosto, misturado com uma cenoura crua, um pao de anteontem (parte ruim), uma salada de fruta deliciosa, com manzana, naranja, uva e durazno (que tanto me persegue nessa viagem), um macarrao tipo penne, com um molho gostoso, e pechuga de frango empanado, delicioso. Para acompanhar, refrigerante, ou água, que nao era preciso economizar, pois mais de uma vez, a senhorita passava com uma garrafa na mao, oferecendo mais. Dormi. Quando acordei, a moça estava servindo o café/chá/refrigerante/água. Entao, ela pega um saquinho com dois alfajores e me dá. Ela os serviu enquanto eu caia nos braços de Morfeu. Depois eu dormi mais um pouquinho. Acordei com o lanche. Biscoitos, torradas, mais bebidas e guloseimas. Cara, vamos levar a ZENIT pro Brasil! Que serviço é esse! Vai eliminar a concorrência! Eu nunca mais direi que gosto da 1001, depois de ter viajado com eles...
Bem, quando cheguei em Córdoba, fui para o albergue que os meninos estavam, que nao era o que nós queríamos, visto que este estava lotado e só teria vaga para nós no dia seguinte. Acho que o nome do albergue era "Luz del Paraíso", que de paraíso nao tinha nada. O lugar era uma bosta! O pessoal da recepçao, nao era nem um pouco receptivo. As pessoas nao fazem a menor questao de te entender, assim como nao fazem para serem entendidas, nao sao prestativas e nem nada. Havia um ou outro que trabalhava lá que era simpático. No dia seguinte fomos para o Che Salguero, o albergue que estou hospedada agora. Sensacional!! Nota mil para todos que trabalham aqui, sem exceçao. O pessoal é de uma simpatia, que eu nunca vi igual. Tem dois que falam portugues; voce pode falar até grego, que vao dar um jeito de voces se entenderem. Muito limpo e bem cuidado. Quando nós chegamos, as camas estavam arrumadas, com lençol branco, limpinho, com cheirinho e tudo (o que gerou um comentário meu para Bruno, que vem fazer parte da trupe, que nos fez gargalhar, por eu parecer maluca, em resposta à pergunta: "Como é o albergue aí?" ... "Muito bom! Cheirosao!"). Todos os dias aqui tem um jantar, que sai na faixa de 20 pesos por pessoa. Comi dois dias, um era Choripan (chorizo + pan), outro dia eram Fajitas (mexicain food). Hoje era comida chinesa, mas eu nao estava em casa na hora.
No dia 31, de noite, os meninos foram embora e eu fiquei sozinha, aguardando ansiosamente a chegada da nova trupe: Bárbara, Bruno e Raoni. Nesses dias, andando sozinha, prestei atençao em algumas coisas, que é difícil reparar, quando se está acompanhado. A começar pela prepotência dos argentinos, quando se sentem europeus. Tive que rir, quando percebi que as avenidas que sao mais arborizadas, eles nao se contentam em chamar de avenidas, tem que chamar de BOULEVARD. Brincadeira, né? E também como que peao é peao em qualquer lugar. Vai passar em frente uma obra, pra ver se nao vai ouvir "baixezas"... A diferença é que aqui é em espanhol. Algo que aconteceu enquanto ainda estava com os meninos, em Rosário, eu acho, e que eu esqueci de relatar, é que as pessoas tem o hábito de desejar "Bom apetite" a todo mundo que está comendo, nao importando se conhece ou nao. O cúmulo, foi quando estavamos sentados em um meio fio, em Rosário, comendo um pancho, quando um transeunte passa, olha pra gente e fala: "Bon provecho!". Vou adotar! E como que grupo grande nao se entrosa muito. No começo da viagem, quando eramos só eu e o Dudu, conhecemos todo mundo do albergue, quando os outros meninos chegaram, apresentamos todos uns aos outros e foi tudo sensacional. Em Rosário, e em Córdoba, isso nao aconteceu. Quando eles foram embora, eu pensei "Ih! E agora? Eu nao conheço ninguém." (Salvo por dois brasileiros, um de Santa Catarina e outro do Rio Grande do Sul). Bastou eu jantar com o pessoal, que fiz amizade com a Letícia, uma italiana que está no meu quarto (que eu falei que seria fácil gravar o nome dela, por ser o nome da minha irma, e ela me disse que também seria fácil gravar o meu, por ser um nome italiano. Sabiam dessa? Só que ela falou que se pronuncia "Tchitchilha", que nem o Chico, lá de Saquarema. Lembra, gente?), um malandro de Israel, um alemao de Munich, que estava no meu quarto, um outro alemao, que trabalha aqui, uma menina de Mendoza... Isso até me lembra uma história engraçada. Quarta-feira, quando eu estava saindo do banheiro, surge essa menina na porta, querendo usar o espelho. Ela me perguntou se o pessoal ia sair para bailar e eu disse que nao sabia, mas que topava sair com ela. Beleza, marcamos. Eu fui me arrumar, enquanto ela foi dar um pulinho na rua. Quando eu estava praticamente pronta, volta ela, falando alto, me abraçando, falando que eramos super amigas, enfim... Completamente bêbada! HAHAHAHA! Eu pensei logo: "isso vai ser engraçado"! Beleza, fui pra rua com ela, e em cinco minutos eu já nao a aguentava mais. Que menina mala! Ela falava muito alto, com uma voz chata de argentina, e o pior, em uma língua que ela chamava de português. Gente, se o "portunhol" que nós falamos é interpretato por eles, da mesma maneira que eu interpretei o dela, que calemos a boca para sempre! Imaginem uma pessoa gritando, com uma voz aguda, repetindo a mesma coisa o tempo inteiro, e que quando tentava dizer "a gente", só saía "a djenti". Ó senhor! Dai-me paciência. O lugar que nós procurávamos estava fechado, entao tivemos que voltar pro hostel. Ela disse que ia pegar algo no quarto e nao voltou mais durante um bom tempo. Eu achei que ela tivesse ido dormir. Até que volta ela, com um grupo grande, que tava no quarto dela, dizendo que sairiamos com eles. No caminho, paramos em um bar, antes de ir para alguma boate. Adivinhem: ela se perdeu no meio do caminho! HAHAHA!! Consegui me livrar dela. Até que eu parei pra perceber... Eu estava no meio de um grupo que eu nao conhecia ninguém! Pensei mais uma vez... Isso vai ser engraçado! Bastou pedirmos a primeira cerveja, que eu descobri que tinha saído com o Reino Unido. Tinham três meninos da Irlanda, duas meninas do sul da Inglaterra e um do País de Gales. País de Gales. Nao me lembro a última vez que parei pra pensar na existência desse país. Foi muito legal! Rimos bastante... No final eu estava brincando "rock, paper and scissors", que pra eles é um dos "drink games", onde tem um que perde e tem que beber, e outro que perde e tem que pagar a conta. Felizmente, eu bebi de graça junto com todo mundo, enquanto um desafortunado, teve que pagar a conta. Depois fomos para uma boate, que só as mulheres poderiam entrar de graça e eu, com um espanhol porco e imundo, que eu já ouvi falar que anda muito bom, consegui desenrrolar para que todos entrassem de graça e ainda ganhei duas bebidas de graça. Agora me perguntem: como?! Ok.. Saímos de lá depois das 5:30 da matina... E voltamos pra casa ao som do Tom (País de Gales) cantando nada mais nada menos que http://www.youtube.com/watch?v=a5_QV97eYqM "Oh Cecilia, you're breaking my heart / You're shaking my confidence daily / Oh Cecilia, I'm down on my knees / I'm begging you please to come home / Come on home (...)" HAHAHAHA!! Cada um que me aparece! Fui dormir morta de cansada, e acordo 10 horas da manha, com dois demônios no meu quarto, desarrumando mala, conversando e mexendo em saco plástico. Eram duas brasileiras, mineiras, legais.
Bem, anteontem eu fui no Museu e Arquivo da Memória (mais uma vez, os argentinos querendo mostrar pro mundo a imundisse dos anos de ditadura). Em 2006, como marco de 30 anos desde a última ditadura na Argentina, foi aprovada uma lei, em Córdoba, conhecida como Lei de la Memoria. Ela estabelecia a criaçao de uma Comissao Provincial da Memória, que teria como sede o ex edifício do Departamento de Informaçoes da Polícia da província de Córdoba, conhecido como "D2", que durante os anos 70 funcionou como centro clandestino de detençao. A fachada dele é formada por um desenho de uma digital enorme, sendo que cada linha é composta pelos nomes das pessoas que passaram por ali. Logo que cheguei, fui recebida por um senhor na recepçao, que me deu uma atençao diferenciada, quando viu que eu estava interessada e depois de conversas, me disse ter sido preso ali, por um determinado período. Nao vou me ater na descriçao do museu, visto que fui interrompida da minha digitaçao (por uma das mineiras), e perdi o fio da meada e a paciência. Posso dizer que o lugar é bem pesado, e que teve hora em que eu nao aguentava mais ficar lá dentro, tudo que eu queria era sair daquele lugar. De lá, eu segui para uma outra exposiçao, que estava tendo no mesmo prédio, só que mais escondida, que falava da luta contra a pena de morte. Esta, veio da França, promovida pelo grupo Amnestesy International http://www.amnesty.org/fr, muito interessante. Quando eu estava de saída, o senhor que me atendeu na entrada, veio com vários folhetos, jornais e papéis pra me dar. FOFO!
Eu até que tinha mais algumas coisas pra dizer, mas aquela vaca me tirou do espírito... Entao, fica pra próxima! No momento, estou aguardando Bruno e Babi. Já devem estar chegando...
É isso.

Besitos!