sábado, 5 de fevereiro de 2011

Quase uma cordobesa

Com o último post quase fazendo aniversário, resolvi escrever de novo.
Nessa última semana nao aconteceu nada muito extraordinário, mas ainda assim acho que é possível contar alguma anedota.
Bem, como disse no último post, no dia que eu cheguei no albergue de Santa Fé, conheci aquele pessoal e saímos para um bar. Provei o tal do Fernet, uma bebida de Córdoba, que agora eu nao consigo mais beber sem dar uma gargalhada, ao lembrar do Dudu e do Nícolas falando que ela tem gosto de novalgina com Coca-Cola. Convidativo, nao? Alguém se habilita? Entao, encurtei a minha estadia pela cidade, visto que lá foi o maior e único furo até agora. Gente, eu simplesmente estava em um lugar mais quente que Bangu, Benfica, Bonsucesso. Como diz um amigo meu, naquele inferno, havia ªum sol pra cada um". Além disso, a cidade é feia, tem muita miséria, é pouco arborizada, muita umidade (o que aumenta a sensaçao de calor), para durante a tarde, para a sesta, e o principal: nao tem absolutamente nada pra fazer. A única coisa que me fez escolher esse inferno de lugar, é o centro histórico, que na verdade nao tem muita coisa interessante. Além disso, o calor é tao insuportável, que nao dá vontade de sair. Por que eu vou pra rua, pra me sentir mal? Resolvi chutar o balde, e no dia 29 de janeiro, eu parti para Córdoba e aqui estou eu!
Tomei um café da manha bolado no albergue, que a Cecília, minha xará, preparou pra mim. Um balde de café, que eu achei que nao fosse dormir nunca mais. Preciso comentar o quanto eu achei fantástico, encontrar, naquele fim de mundo, um muchacho com cara de índio boliviano, vestindo a camisa do MENGAO na rodoviária? Tentei tirar foto, mas ele passou rápido por mim. Alias, falando em foto, esses dias eu tentei postar algumas fotos aqui no blog, mas como a internet é mais lenta do que eu, quando acordo, me estressei e fechei tudo. Enfim, peguei um ônibus da companhia Zenit, por 120 pesos, exatamente, 50 reais, para uma viagem de 5 horas, e fiquei abismada com tanta luxúria e quantidade de comida que eu tive direito naquele buzao. Poltronas maiores que as de aviao e serviço melhor que o da TAM. Ô maravilha! Era um ônibus de dois andares, sendo que no segundo, haviam somente 3 fileiras de cadeira, uma em dupla, e outra individual. Só nisso já é possível imaginar a largura delas, né? Estou eu relaxada, quando chega uma moça, com a roupa da companhia, falando pra caramba, apontando pra alguma coisa que tava do meu lado. Quando ela acabou de falar, eu franzi a testa e falei: "ahn?" Aí ela viu que eu era turista, e começou a falar mais devagar. Era pra tirar uma mesinha que tinha ao lado, e coloca-la na minha poltrona pra servir o almoço. Rangao! Imediatamente eu tirei a mochila do colo e deixei que ela arrumasse tudo. De bóia, veio um arroz meio cru, sem gosto, misturado com uma cenoura crua, um pao de anteontem (parte ruim), uma salada de fruta deliciosa, com manzana, naranja, uva e durazno (que tanto me persegue nessa viagem), um macarrao tipo penne, com um molho gostoso, e pechuga de frango empanado, delicioso. Para acompanhar, refrigerante, ou água, que nao era preciso economizar, pois mais de uma vez, a senhorita passava com uma garrafa na mao, oferecendo mais. Dormi. Quando acordei, a moça estava servindo o café/chá/refrigerante/água. Entao, ela pega um saquinho com dois alfajores e me dá. Ela os serviu enquanto eu caia nos braços de Morfeu. Depois eu dormi mais um pouquinho. Acordei com o lanche. Biscoitos, torradas, mais bebidas e guloseimas. Cara, vamos levar a ZENIT pro Brasil! Que serviço é esse! Vai eliminar a concorrência! Eu nunca mais direi que gosto da 1001, depois de ter viajado com eles...
Bem, quando cheguei em Córdoba, fui para o albergue que os meninos estavam, que nao era o que nós queríamos, visto que este estava lotado e só teria vaga para nós no dia seguinte. Acho que o nome do albergue era "Luz del Paraíso", que de paraíso nao tinha nada. O lugar era uma bosta! O pessoal da recepçao, nao era nem um pouco receptivo. As pessoas nao fazem a menor questao de te entender, assim como nao fazem para serem entendidas, nao sao prestativas e nem nada. Havia um ou outro que trabalhava lá que era simpático. No dia seguinte fomos para o Che Salguero, o albergue que estou hospedada agora. Sensacional!! Nota mil para todos que trabalham aqui, sem exceçao. O pessoal é de uma simpatia, que eu nunca vi igual. Tem dois que falam portugues; voce pode falar até grego, que vao dar um jeito de voces se entenderem. Muito limpo e bem cuidado. Quando nós chegamos, as camas estavam arrumadas, com lençol branco, limpinho, com cheirinho e tudo (o que gerou um comentário meu para Bruno, que vem fazer parte da trupe, que nos fez gargalhar, por eu parecer maluca, em resposta à pergunta: "Como é o albergue aí?" ... "Muito bom! Cheirosao!"). Todos os dias aqui tem um jantar, que sai na faixa de 20 pesos por pessoa. Comi dois dias, um era Choripan (chorizo + pan), outro dia eram Fajitas (mexicain food). Hoje era comida chinesa, mas eu nao estava em casa na hora.
No dia 31, de noite, os meninos foram embora e eu fiquei sozinha, aguardando ansiosamente a chegada da nova trupe: Bárbara, Bruno e Raoni. Nesses dias, andando sozinha, prestei atençao em algumas coisas, que é difícil reparar, quando se está acompanhado. A começar pela prepotência dos argentinos, quando se sentem europeus. Tive que rir, quando percebi que as avenidas que sao mais arborizadas, eles nao se contentam em chamar de avenidas, tem que chamar de BOULEVARD. Brincadeira, né? E também como que peao é peao em qualquer lugar. Vai passar em frente uma obra, pra ver se nao vai ouvir "baixezas"... A diferença é que aqui é em espanhol. Algo que aconteceu enquanto ainda estava com os meninos, em Rosário, eu acho, e que eu esqueci de relatar, é que as pessoas tem o hábito de desejar "Bom apetite" a todo mundo que está comendo, nao importando se conhece ou nao. O cúmulo, foi quando estavamos sentados em um meio fio, em Rosário, comendo um pancho, quando um transeunte passa, olha pra gente e fala: "Bon provecho!". Vou adotar! E como que grupo grande nao se entrosa muito. No começo da viagem, quando eramos só eu e o Dudu, conhecemos todo mundo do albergue, quando os outros meninos chegaram, apresentamos todos uns aos outros e foi tudo sensacional. Em Rosário, e em Córdoba, isso nao aconteceu. Quando eles foram embora, eu pensei "Ih! E agora? Eu nao conheço ninguém." (Salvo por dois brasileiros, um de Santa Catarina e outro do Rio Grande do Sul). Bastou eu jantar com o pessoal, que fiz amizade com a Letícia, uma italiana que está no meu quarto (que eu falei que seria fácil gravar o nome dela, por ser o nome da minha irma, e ela me disse que também seria fácil gravar o meu, por ser um nome italiano. Sabiam dessa? Só que ela falou que se pronuncia "Tchitchilha", que nem o Chico, lá de Saquarema. Lembra, gente?), um malandro de Israel, um alemao de Munich, que estava no meu quarto, um outro alemao, que trabalha aqui, uma menina de Mendoza... Isso até me lembra uma história engraçada. Quarta-feira, quando eu estava saindo do banheiro, surge essa menina na porta, querendo usar o espelho. Ela me perguntou se o pessoal ia sair para bailar e eu disse que nao sabia, mas que topava sair com ela. Beleza, marcamos. Eu fui me arrumar, enquanto ela foi dar um pulinho na rua. Quando eu estava praticamente pronta, volta ela, falando alto, me abraçando, falando que eramos super amigas, enfim... Completamente bêbada! HAHAHAHA! Eu pensei logo: "isso vai ser engraçado"! Beleza, fui pra rua com ela, e em cinco minutos eu já nao a aguentava mais. Que menina mala! Ela falava muito alto, com uma voz chata de argentina, e o pior, em uma língua que ela chamava de português. Gente, se o "portunhol" que nós falamos é interpretato por eles, da mesma maneira que eu interpretei o dela, que calemos a boca para sempre! Imaginem uma pessoa gritando, com uma voz aguda, repetindo a mesma coisa o tempo inteiro, e que quando tentava dizer "a gente", só saía "a djenti". Ó senhor! Dai-me paciência. O lugar que nós procurávamos estava fechado, entao tivemos que voltar pro hostel. Ela disse que ia pegar algo no quarto e nao voltou mais durante um bom tempo. Eu achei que ela tivesse ido dormir. Até que volta ela, com um grupo grande, que tava no quarto dela, dizendo que sairiamos com eles. No caminho, paramos em um bar, antes de ir para alguma boate. Adivinhem: ela se perdeu no meio do caminho! HAHAHA!! Consegui me livrar dela. Até que eu parei pra perceber... Eu estava no meio de um grupo que eu nao conhecia ninguém! Pensei mais uma vez... Isso vai ser engraçado! Bastou pedirmos a primeira cerveja, que eu descobri que tinha saído com o Reino Unido. Tinham três meninos da Irlanda, duas meninas do sul da Inglaterra e um do País de Gales. País de Gales. Nao me lembro a última vez que parei pra pensar na existência desse país. Foi muito legal! Rimos bastante... No final eu estava brincando "rock, paper and scissors", que pra eles é um dos "drink games", onde tem um que perde e tem que beber, e outro que perde e tem que pagar a conta. Felizmente, eu bebi de graça junto com todo mundo, enquanto um desafortunado, teve que pagar a conta. Depois fomos para uma boate, que só as mulheres poderiam entrar de graça e eu, com um espanhol porco e imundo, que eu já ouvi falar que anda muito bom, consegui desenrrolar para que todos entrassem de graça e ainda ganhei duas bebidas de graça. Agora me perguntem: como?! Ok.. Saímos de lá depois das 5:30 da matina... E voltamos pra casa ao som do Tom (País de Gales) cantando nada mais nada menos que http://www.youtube.com/watch?v=a5_QV97eYqM "Oh Cecilia, you're breaking my heart / You're shaking my confidence daily / Oh Cecilia, I'm down on my knees / I'm begging you please to come home / Come on home (...)" HAHAHAHA!! Cada um que me aparece! Fui dormir morta de cansada, e acordo 10 horas da manha, com dois demônios no meu quarto, desarrumando mala, conversando e mexendo em saco plástico. Eram duas brasileiras, mineiras, legais.
Bem, anteontem eu fui no Museu e Arquivo da Memória (mais uma vez, os argentinos querendo mostrar pro mundo a imundisse dos anos de ditadura). Em 2006, como marco de 30 anos desde a última ditadura na Argentina, foi aprovada uma lei, em Córdoba, conhecida como Lei de la Memoria. Ela estabelecia a criaçao de uma Comissao Provincial da Memória, que teria como sede o ex edifício do Departamento de Informaçoes da Polícia da província de Córdoba, conhecido como "D2", que durante os anos 70 funcionou como centro clandestino de detençao. A fachada dele é formada por um desenho de uma digital enorme, sendo que cada linha é composta pelos nomes das pessoas que passaram por ali. Logo que cheguei, fui recebida por um senhor na recepçao, que me deu uma atençao diferenciada, quando viu que eu estava interessada e depois de conversas, me disse ter sido preso ali, por um determinado período. Nao vou me ater na descriçao do museu, visto que fui interrompida da minha digitaçao (por uma das mineiras), e perdi o fio da meada e a paciência. Posso dizer que o lugar é bem pesado, e que teve hora em que eu nao aguentava mais ficar lá dentro, tudo que eu queria era sair daquele lugar. De lá, eu segui para uma outra exposiçao, que estava tendo no mesmo prédio, só que mais escondida, que falava da luta contra a pena de morte. Esta, veio da França, promovida pelo grupo Amnestesy International http://www.amnesty.org/fr, muito interessante. Quando eu estava de saída, o senhor que me atendeu na entrada, veio com vários folhetos, jornais e papéis pra me dar. FOFO!
Eu até que tinha mais algumas coisas pra dizer, mas aquela vaca me tirou do espírito... Entao, fica pra próxima! No momento, estou aguardando Bruno e Babi. Já devem estar chegando...
É isso.

Besitos!

5 comentários:

  1. adorei a prosa tá boa e eu fico feliz de estar junto como você na sua viagem , beijos beijos da tia emprestada

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  2. Caraca,maluco, vc tá na TPM??? Chamou as mineiras de demônio e depois de vaca! Hahaha! Morri de rir! Suas histórias são as melhores, irmã! Tô adorando a minissérie!
    Sexta me lembrei de vc no esnaio do Simpatia, no Parada da Lapa, com Wilson Moreira e Ney Lopes. Sábado rolou Espanta Neném no Morro da Dona Marta, com Delcio Carvalho e Paulão 7 Cordas... A Clarinha tá enorme (doida pra sair) e hj fomos a Ipanema com os pais dela... rs! I love Rio!!!! Depois lembramos de vc tb no niver do Fabinho, na Tia Beth, com direito a mergulho no balde! Rs! Saudades do tamanho do universo! Te amo!

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  3. HAHAHAHAHAHAHAHAHHAA

    Muito bom, CHEIROSÃO!!!!! HAHAHAHAHAAHAHAHAHA

    chorei de rir

    Espero que vc lembre o nome das boates da noitada. pq vou te perguntar todos! uaheuhaehuae
    ;*

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