¡Hola, cariños!
Como o próprio título desse post já diz, isso aqui nao podia estar melhor.
Antes de comecar a contar das minhas facanhas dos ultimos dias, falarei brevemente sobre o albergue em que estou hospedada. (Agora, além de "til", estamos sem "cedilha" e sem "crase". Vamos colocar essa mente pra trabalhar e decifrar o que eu escrevo...) Quando eu pesquisei lugar para ficar aqui, optei por Palermo, por ser um bom bairro em termos de beleza, seguranca, além de conter um alto número de turistas e jovens. Entre os que eu encontrei no site http://www.hostelworld.com/, esse foi o de melhor qualificacao (86%), o que me assustava, visto que é mais seguro escolher os acima de 90%. No entanto, como eu nao tinha opcao, foi esse mesmo. Baseando na experiência do meu amigo, que andou entrando em alguns albergues para arranjar emprego, o nosso é realmente o melhor. Ele nao é nada mais, nada menos que um casarao antigo, de três andares, localizado na rua Güemes, 4802. O espaco é muito bom, quartos grandes, com pé direito alto, cozinha, terraco, sala de TV, de internet e bar. Além disso, o astral das pessoas que trabalham aqui é contagiante. Só fica excluído quem quer. É muito normal as pessoas puxarem assunto, e interagirem. Algo que me chamou a atencao também foi a limpeza dos banheiros. O feminino, sempre tem papel, é limpo várias vezes por dia(percebo que a lixeira é trocada), acho que foi por isso que eu me adaptei tao bem a usar banheiro coletivo.
Entao, agora vamos ao que interessa. Nada como uma noitada para todo mundo virar amigo de infância. Já fiz duas noitadas aqui, e ambas foram sensacionais. Em um dia, fomos para uma festa em um outro albergue, e depois para uma boate, e no outro, fomos para um bar na Praca Cerrano, que bomba aqui em Palermo, e depois pra uma outra boate. Lembrando que antes de ir pra qualquer lugar a galera vai se reunindo aos poucos no terraco, tomando uma cerveja, trocando uma ideia... A propósito, as coisas aqui só funcionam a partir de uma hora da manha, e só ficam boas, depois das duas. Quem gosta de dormir com as galinhas, pode desistir de fazer noitada. Andei refletindo que é possível viajar pelo mundo sem saber falar inglês, visto que a linguagem dos sinais é internacional. No entanto, essa limitacao impede de conhecer muita gente interessante, o que eu acho ser 50% da viagem. Aqui, passo grande parte do meu dia falando inglês, o que ajuda a soltar a língua e a perder o medo de falar errado. Claro que o velho ditado de "alcool improves my english" ajuda, mas o ideal mesmo é falar devagar, de modo que se faca entender. O ruim é que é um pouco cansativo. Eu tenho que dormir falando inglês e acordar fazendo o mesmo. As vezes acabo falando com os brasileiros em inglês, por distracao. É legal que pelo albergue e por esses bares, eu estou conhecendo gente de vários países, e aprendendo coisas que livros nenhum podem me proporcionar. E mesmo que eles o facam, talvez eu jamais me interessaria pelo assunto. O mais interessante disso tudo é quebrar preconceitos, ideias fixas e afirmacoes falsas que a gente costuma escutar, que nao tem nenhum fundamento. É legal saber o que as pessoas pensam do Brasil, como o Brasil é visto lá fora por pessoas que vivem, e nao por jornais, ou livros. Foi interessante saber, por exemplo, que o meu país nao é totalmente passivo, como eu imaginava, e que tem alguma imponência de "peitar" os grandalhoes. Eu nao sabia que é super complicado para os americanos irem pro Brasil, assim como é o contrário. Embora, eu fiquei chateada em saber que a América do Sul toda é conhecida pela grande e fácil oferta de cocaína. As pessoas vem aqui para cheirar mesmo, e nao estao nem aí (isso terá um tópico a parte). Fora isso, é muito gostoso conhecer gente que é legal de graca, que esta na mesma que voce, que quer desbravar o mundo, que tem uma visao completamente diferente das coisas. Uma coisa que aconteceu ontem e eu achei super engracado, foi a minha amiga Larissa, holandesa, ter perguntado por que havia fila em frente a boate. Eu ri, porque a gente está tao acostumado com fila, e ela nao entende. Pessoas querendo aprender portugues também sao hilárias. Tinha um sueco hospedado, que vai pro carnaval do Rio, e queria saber como se diz: "Eu quero comprar isso", mas ele nao conseguia passar de "Ero comprare esso". HAHAHAHA!!! Finalizando a parte das noitadas, a gente tem saido pra lugar relativamente perto de casa (no maximo umas 15 quadras), e a gente costuma voltar andando. Das duas vezes, juntei-me com a Manu, potiguar, e as duas já "pra lá de Bagdá", soltando o gogó no caminho de volta, cantando Paulinho da Viola, Chico Buarque, Gonzaguinha, Martinho da Vila...
Quanto aos passeios culturais, nao estou cumprindo o meu roteiro ao pé da letra, mas nao importa, estou me divertindo muito, e sei que nao é a minha última vez nessa cidade. Quinta-feira eu fui a praca de Maio para assistir a manifestacao que ocorre, semanalmente, as 3 horas, das maes e avós dos militantes políticos desaparecidos no período da Ditadura. Olha, é muito emocionante. É de chorar, ver aquelas velhinhas, carregando bandeiras, fotos e cartazes, batendo palma em um só ritmo, cantando: "Alerta! Alerta! Alerta quien está vivo! Todos los ideales de los desaparecidos!" No final, quando a líder pegou o microfone, ela falou uma coisa que me marcou: "A única luta perdida, é aquela que se abandona". É brilhante, e ao mesmo tempo revoltante, quando se compara ao Brasil, como que o povo argentino é politizado e culto. O que tem de pixacao pela cidade, apoiando ou denegrindo a presidente, passeatas e movimentos, vocês nao acreditam. Após a líder da associacao das maes e avós ter acabado de falar, um rapaz pegou o microfone e comecou a esculhambar o jornal El Clarín. Está o maior "quebra pau" aqui, os trabalhadores estao revoltados com o Clarín, devido aos problemas com a dona do jornal, que tem filhos adotados na época da ditadura, o que gera incertezas, quanto a legalidade da adocao, o fato da única imprensa (nao sei se me expressei corretamente, quero falar da empresa que imprime o papel jornal) do país ser controlada pelo jornal, gerando um monopólio, o mesmo nao ter dado muita importancia a manifestacao contra o fato de um trabalhador em especial ter sido despedido, e por aí vai. Todos encorajavam a populacao a boicotar o jornal, parando de comprar. Também fui a Catedral Metropolitana, na mesma praca, para ver o mausoléu de San Martin, o general que proclamou a independência do país em , maio de 1816 (por isso, revolucao de maio, Praca de Maio, e por aí vai...), fui ao Museo Historico Nacional del Cabildo, conhecer um pouco mais da história do Cabildo e de sua funcao, da revolucao de maio, e da Argentina em Geral. Encontrei, por acaso, uma exposicao de fotografia maneiríssima (Dé, lembrei muito de voce), com cada foto bizarra de linda, e outras que perdem pra algumas que eu já tirei, modéstia a parte. Fui a um parque legal, deitar na grama, falar besteira e rir. Fiquei decepcionada ao ir ao Teatro Colón, que pela primeira vez eu vejo após a reforma, quando soube que os espetáculos comecam em marco, e as visitas em fevereiro. Nesse dia, inclusive, eu e o Dudu andamos muita coisa, muito mesmo, e quando decidimos comer, ele lembrou que tinha passado por um Kebab (prato turco, que eu conheci em Paris, e choro de saudades), e que lembrava mais ou menos onde era. Por uma questao de honra, andamos durante muito tempo em busca, do maldito Kebab, que na verdade era Shwarma, quase a mesma coisa, e quando encontramos, Murphey estava do nosso lado e roubou dinheiro de nossa carteira. Sim, quando, esfomeados, finalmente encontramos, percebemos que nao tinhamos dinheiro suficiente para pagar. Puta merda! Entao comemos em um cachorro quente que ganhou o primeiro lugar, nos melhores cachorros quentes dos últimos tempos. Na lojinha, havia vários molhos gostosos para colocar. Para quem se interessar, tanto o shwarma, quanto o cachorro quente, ficam na rua Lavalle, entre a rua Florida e a Av. 9 de Julio. Depois de contar o dinheiro para pegar o metro, percebemos que aqui nao se pode errar. A estrutura do metro de Buenos Aires é completamente diferente da existente em qualquer outro lugar do mundo. Quando se passa de uma estacao, ou quando se erra a linha, nao se pode cruzar as vias por uma passarela, ou algo do tipo. É preciso sair, pagar uma nova passagem, ou desenrrolar para entrar sem pagar. Mas chegamos a conclusao de que aqui, o sistema é esse, porque os argentinos sao infalíveis e nunca erram. Outra coisa, em termos de modernidade, a Argentina é o Brasil de dez anos atrás. É muito difícil encontrar lugares que aceitam cartao de crédito. Por isso, é necessário andar com dinheiro o tempo inteiro.
O último tópico de hoje, visto que eu já estou cansada de escrever, e acredito que vocês de ler, é algo que eu comentei lá traz e tem me chocado muito: cocaína. Ou eu sou muito careta, ou muito inocente, mas eu nunca tive tanto a nocao de como a cocaína é difundida e tem fácil acesso. Dentro do albergue vi umas cenas bizarras. Além de algumas pessoas usarem sem pudores, pude perceber os efeitos (que nao sao iguais nas mesmas), como por exemplo gente falando com a boca toda torta, como se o maxilar estivesse solto, mexendo os dedos como se eles estivessem cheios de cola, gente agressiva, ou completamente pancada, que fica na sua, completamente away do mundo. Também vi o depois. Dentro do meu quarto, acordei com um dos meus "roomys" abrindo a porta correndo, e voltando com um pedaco de papel higienico cobrindo o nariz, e o mesmo jorrando sangue. É muito sangue que sai do nariz, é impressionante como a droga é forte e corrói tudo por dentro. Eu sou obrigada a repetir as palavras do Dudu quando disse que "se eu algum dia tive curiosidade de saber como é a onda, o que nunca aconteceu, depois de ver tudo que eu vi, essa vontade nunca vai existir". Gente, as pessoas ficam decadentes, em depressao. Teve um menino, que depois de passar 48 horas acordado, sem tomar banho, com a mesma roupa, depois de ter passado esse tempo inteiro cheirando, ficou numa tristeza, que era percebível. Mais que tristeza, vergonha. Depois dessas 24 horas, conversando com ele, dava pra ver que o cara é uma boa pessoa, legal, engracado, mas que muda completamente de comportamento quando está doidao. Hoje, quando eu estava indo pro terraco, passando pelo segundo andar, o malandro que é conhecido aqui como "the guy of the drugs" ou "o cara das drogas", perguntou se eu queria. É assim. Eu nao preciso procurar, isso vem bater na minha porta. Ao mesmo tempo, é interessante conhecer gente que já conhece esse tipo de coisa, convive sem preconceito, e com a cabeca aberta. Muitos falam com uma certa normalidade dos amigos que cheiram, mas que nao se incomodam, desde que eles nao encostem ou tragam algum mal para os primeiros. Ainda assim, pra mim é assustador saber que é tao comum, tao fácil, tao perto e tao normal.
Bem, por hoje é isso. O final ficou um pouco tenso, mas nao se apoquentem. Eu estou muito feliz e aproveitando a Argentina como nunca o fiz. Ainda nao coloquei fotos, porque fico com medo de conectar o pen drive, ou o cabo da câmera, em computadores que possivelmente estao infestados de vírus. Assim que eu estiver em um computador que tenha o mínimo de seguranca, eu coloco algumas.
Beijos!
"se eu algum dia tive curiosidade de saber como é a onda, o que nunca aconteceu, depois de ver tudo que eu vi, essa vontade nunca vai existir".
ResponderExcluirIsso acaba com a vida de qualquer um e definitivamente não vale a pena... Não conheço nenhuma história de alguém que tenha sido feliz com isso ou que tenha se dado bem! Vcs estão mais do que certos de ficarem longe disso!!!
Se cuida, Xixa!
Saudadéliassssssssss
obs: Curti a parte das noitadassssss, do jeitinho que titia aqui gosta!! hahahahhha
Bjoos
Prima, se cuida, viu?!
ResponderExcluirTE AMO MUITO!
Beijinhos, Má.
Achei bem linda aquela frase " A única luta perdida é aquela que se abandona". Além de ter me emocionado, acredito muito nisso.
ResponderExcluirCi. Eu já convivi com gente que cheirava. É realmente muito triste. Pois a pessoa se sente poderosa, fica agressiva e depois depressiva. Com uma energia pra lá de ruim. Mas claro que tem gente muito boa que curte, ainda assim , essa onda. Não tenho preconceito também, mas sei o quanto essa droga é pesada e faz mal.
Que bom que você está num lugar maravilhoso!
Curta tudo!
Te adoro. Beijos, Aline.
Álcool é ruim, cigarro é péssimo mas coca e crack derretem o cérebro e liquidam o septo nasal.
ResponderExcluirVade retro Satanás!
Adorei a reportagem filha.
Fico todo pimpão ao verificar que você escreve cada vez melhor que eu.
beijos, muiitos beijos e continue cuidando muito de você.
Como eu sempre lhe digo: "seja corajosa, fuja sempre das áreas de risco e do perigo".
Afinal, se estrepar é fácil. difícil até heróico é saber contornar os obstáculos e superar os desafios.
bjs
Papai corujíssimo.
Amoreca, linda! Vc está me saindo uma belíssima escritora! Espero que salve todos esses comentários para depois escrever um belo livro de crônicas! Te amo de montão! Se cuida! Bjs da dinda Dedé!
ResponderExcluir